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sábado, abril 30, 2005

O Gatinho Vadio Dele...

GATO QUE BRINCAS NA RUA

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes
que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim
Todo o nada que és, é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

quinta-feira, abril 28, 2005

A Liberdade dos Homens


Posted by Hello Mesmo longe do seu país, mesmo a trabalhar, a "dona" não deixou de lembrar o 25 de Abril. Ela nem era nascida, nem era pensada (ela nunca foi pensada, Minhauuu ffff ! ah ah ah). Mas quem viveu toda a vida com gente que sentiu na pele o que era não viver livremente não pode deixar de celebrar a Revolução.

Há uma coisa que eu, Pug Gata Preta, não percebo muito bem. A Liberdade é um valor imprescindível para os gatos. Impossível viver sem ele. Porque é que este dia não é uma festa?

Os humanos parecem ter dificuldades com isto da liberdade. Todos dizem ser algo a que aspiram, e bem se vê o quanto sofrem privados dela.
Mas mesmo livres, vivendo em democratia , estão amarrados a toda a sorte de coisas. Amarrados inconscientemente - ao seu grupo social ou familiar, à sua terra, à nação. Os laços prendem-nos, sejam de sangue, telúricos, afectivos ou convencionais. Amarrados de livre vontade... ou talvez não.
Amarrados também a coisas mais fúteis e vãs. Aquilo a que chamam sucesso e que corresponde a poder, a ser reconhecido em muitos lugares, a ter mais notas do que o vizinho e mais objectos a ganhar pó do que ele.
Os humanos, na verdade, gostam de ser sujeitos... gostam do comodismo de estar presos e de receber umas ordenzinhas.

A Liberdade para os gatos é poder sair pela janela e voltar a entrar, sem dar satisfações senão a mim mesma. Esticar-me e encolher-me ao sol, miar de desagrado à chuva. Afiar as garras e ser má; dar marradinhas, fazendo ronrom, e ser mimosa e doce. Ter atum e água. E, às vezes, umas sardinhas ramelosas... que hei-de fazer? Fugir dos cães. Procurar os gatos quando me apetece. Estar só se eu quiser. Ser eu porque tenho esse direito. Ás vezes, não poder ser eu, porque os cães também têm direito a ter a rua para eles.

Com tudo isto...
Em Portugal, nos nossos Açores, parece fora de moda celebrar a Liberdade. Excepto a parada militar, que se celebra verdadeiramente no dia 25 de Abril? Não há festa nas ruas. Um dia, a "dona" há-de ser avó, há-de passar um filme a preto e branco na tv. E já ninguém terá bem ideia de quem foi o Salgueiro Maia pelo andar das celebrações que hoje se fazem... É triste.

domingo, abril 17, 2005


... Posted by Hello Isto de ser gata tem destas coisas. A minha "dona" tem uma viagem de trabalho e então agora este blogue vai ficar desértico durante uma semaninha... Preciso da ajuda dela para postar, não é? Chuif, chuif... Vou miando solitariamente e dando marradas ao meu "dono" que decerto vai pôr a casa no caos que é típico dos machos humanos solitários... Solitários?... E eu? Não sou ninguém? MINHAU FFFFF!!!

sábado, abril 16, 2005

O Simples e o Complexo

"Eu gosto de coisas simples" dizem os seres humanos frequentemente. Ah, estas mentirinhas inconsequentes!... Nada de mais falso. Eles, na verdade, adoram complicar! Simples, simples somos nós, gatos. E nós, ao menos, não enganamos ninguém sobre a nossa natureza... A nossa preguicite felina, a independência obtusa, o hedonismo, a rebeldia... Tudo isso é nosso e é simples como o SER da espécie. Nem pretendemos ser outra coisa.


Os seres humanos enfeitam-se, decoram-se, adicionam-se e subtraem-se. Esses perpétuos insatisfeitos odeiam a simplicidade que dizem adorar. Fazem-no em relação a tudo o que os rodeia. Mesmo em relação às simples (eh eh eh) evidências que permitem a sobrevivência dos próprios ou da espécie...
Pensem lá comigo. Nós, gatos, comemos; os humanos cozinham... e mais que isso, inventaram a gastronomia e dentro desta mil variantes de acordo com regiões e países e temperos. Nós gatos, bebemos; os seres humanos fazem cocktails - coisas inimagináveis! Qual o gato que se lembraria de misturar leite com Kalua?? Nós temos cio, como, aliás, todo o animal; os humanos complicaram a coisa a tal ponto que se tornou erotismo. Não contentes com isso (e já é muito!) , misturaram-lhe sentimentos e tornou-se, talvez, a maior das complicações em que se enrolam. Sim, porque ainda complicam mais a coisa com conceitos de fidelidade (!) e outras coisas que gostam de acrescentar.
Nós, gatos, brincamos; os humanos inventaram jogos hiper complexos em regras, como o futebol, o andebol e coisas no mar (no mar, deuses!) , como a vela e o windsurf. Nós andamos na rua; eles têm o código da Estrada - e até no mar também há código (obrigada João e Miguel**) .

Last but not at all least: nós, gatos, vivemos... arranhamos, miamos, gritamos, espreguiçamo-nos, lambemos, dormimos... E os humanos inquietam-se a pensar PORQUE vivem. E dizem que amam as coisas simples...

As Desculpas do Atum...


... Posted by Hello "Pug sweety, so sorry... Desculpa não te ter dado atum durante tanto tempo... Mas agora vou dar-te muita atenção e tratar bem de ti.... Desculpas, sim? Sim? !"
Qualquer gata se derrete com festas debaixo do pescoço... Sim, sou uma mimosa, sou. E depois?
Vocês se calhar não se derretiam... Ah, valentes! ahn, ahn... E guardavam-se para quê, posso saber?!

quinta-feira, abril 14, 2005

Ó psstt, Ó tu, Ó Gata Preta!!!

O meu nome é PUG. Perceberam, ó gatos? É isso mesmo. Gatas pretas há muitas. Eu gosto que me tratem pelo nome. Posso até nem gostar do meu nome mas quero que me chamem por ele. A gata surradinha do 4ºesq também é "gata preta"; a gata "chatte fatale" do prédio do lado por pouco não era uma pantera... São gatas pretas, e eu sou Gata Preta, sim, também, mas sou PUG. E, na volta, também haverá mais pugs, mas quero que me identifiquem com todas as minhas qualidades, boas e más. MINHAUUUU FFFF !!!

A minha "dona" tem um amigo que sempre lhe diz "Olá morena!", "Não sei se percebi a tua teoria, morena...", "Que é que se ouve aqui / que é que se come, morena?" ... Ao que ela passou a chamá-lo sistematicamente "loiro" (podem inventar as frases, seguem os mesmos parâmetros).
A minha suspeita inicial (minha, porque ela, coitada, como mulher, nem sonha em imaginar tais coisas... a triste!) é que ele a chama "morena" para não se enganar no lote quase inumerável de morenas de quem é amigo. Mesmo assim, ainda se aventurou a perguntar se ele não poderia dizer o nome dela para a distinguir das outras. "Mas o nome muda alguma coisa na tua essência?" pergunta o candidato a filósofo, com queda para o existencialismo. Ela rola os olhos, e murmura que não, não muda. Porque não, "morena" de facto... E dá-se por satisfeita de o poder chamar "loiro", achando que assim retribui a piada íntima e colorida.

E andam estes dois humanos fazendo publicidade às tintas capilares com estas denominações. Pois eu exijo ser chamada PUG. Gata Preta é acréscimo. Ouviram, ó gatos? Morenas há muitas ! ;)

quarta-feira, abril 13, 2005

Resposta ao meu Desabafo

Na verdade, eu vivo bem sem atum... ;) Eu continuo a respirar, eu olho para o sol todos os dias, eu espreguiço-me como uma gata livre... A minha única chatice é saber que o atum existe, fechado ali à chave... o imbecil na sua lata, dentro do armário. Que raiva tenho eu do atum... Que desejo tenho eu de me atirar ao atum...
Dane-se o atum. Aposto que o atum não tira um minuto da sua monótona vida ( e é que é mesmo monótona e sem sentido) para me dedicar um pensamento que seja!
Vou procurar murganhitos para o quintal da vizinha... :)

Desabafo

Estou pior do que um besouro!!! Não me dão atum há imensos dias, mau grado os meus miados... Ignorar é a forma mais segura de desprezo. MiNhauuuuuu FFFFFFF!!!!

domingo, abril 10, 2005

Estranhas Palavras #2, O Verbo Amar

Outra palavra que eu, Pug Gata Preta, não consigo entender. Eles, seres humanos, também não a entendem, tanto mais que, cá em casa, nem todos falam a mesma língua nativa e tenho reparado até que, em cada cultura, esta noção de AMAR varia consideravelmente. Vou arriscar-me aqui a uma grande generalização. Mas dado que vocês generalizam sempre sobre nós, gatinhos pretos, permitam-me...
Os anglo-saxões dizem "I love you" com frequência. Sai-lhes assim, com facilidade... Dizem-no às mulheres/homens de quem gostam, aos filhos, aos amigos: "I love you, David, we should have dinner again one of these days!" Dizem-no acerca dos livros e dos dos cd's: "I love this book I'm reading now". Os franceses empolam mais a questão, fazem-na mais rodeada de palavras e de abstracções, mas também lhes é fácil dizer que amam alguém: "Je t'aime... et j'aime regarder tes yeux pendant que tu regards les étoiles". Mas também este verbo "aimer" lhes sai pela boca fora por tudo e por nada... por coisas concretas e muito quotidianas, por filmes e a novela da vida da vizinha do lado: "J'aime beaucoup votre petite histoire, Madame Dupont!". Os italianos são mais terrenos. Amar alguém nada tem de filosófico, tanto que o "Ti amo, mia bella" é muitas vezes substituído por "Io te voglio bene". Este "querer bem" exprime já um desejo de concretização. Mas quanto a falar de amor, eles são também esbanjadores de palavras... Se bem que quanto a gostar de (seja filmes, discos, etc) usam outo verbo: "piacere" : "Mi piace questa opera di Rossini". Distinguem os afectos interpessoais dos pessoa-objecto.
E, para não me alongar, vou directa aos portugueses. A dificuldade com que soltam o verbo "amar" numa frase... Não dá, não sai. Engata. "Gostar de", tudo bem. Gostam tanto de um poema como de uma música como de alguém.
Até adoram! Ah, sim, chegam a esse ponto! Mas amar... Ui, há problemas.
"Amo-te Rita" não só é altamente perturbador para o João que o disse depois de longas horas a pensar se realmente o devia dizer e como o diria...mas para a Rita que fica estupefacta e pensa que lhe caíu o peso do mundo em cima, tal é o peso deste verbo em português e a sua pouca frequência. A Rita opta por responder "Também eu" e o João fica desolado - ela ama-se a si também ou a ele? Que fraca resposta, e não trouxe o verbo, não teve "carga amorosa"! A Rita vai a seguir ligar à amiga a contar e as duas ficarão a ruminar sobre o verbo "amar" e que quer isso dizer? E o João lamentar-se-á e nunca mais dirá tal coisa...
Enfim, o verbo AMAR... ainda bem que nós, os gatos, não temos de dizer nada disso...

PS- a minha "dona" matava-me se eu não dissesse que amar é yodea em hebraico , ou seja, é conhecer . Coitada, vive iludida nas suas raízes cripto-judaicas... ;) *** "dona" Caiê!

sábado, abril 09, 2005


Quarta-feira, Abril 06, 2005

Posted by Hello

Ah! A Primavera! ... Ando muito afectada... Afinal, sou só uma gata. Perdoem-me o andar desaparecida, mas isto é mesmo assim, não posso evitar...
Este cinzentinho que dorme aí na foto é o meu eleito! Lindo, não é? É.
Vou postar mais umas coisas brevemente...
De momento, compreendam que as flores desabrocham e Abril desponta. Os gatos vivem a sua época. Au revoir! ;)

quarta-feira, abril 06, 2005

Estranhas Palavras # 1, O Conceito de Deus

Nós, os gatos, não temos Deus. Vivemos bem sem um ente superior transcendente ao mundo. Tenho ouvido com atenção as conversas sobre Ele, esse eterno nomeado mesmo por quem n'Ele não acredita. É estranho... que os humanos falem das coisas abstractas com as mesmas palavras que usam para as coisas concretas. Mas, coitados, a linguagem deles é, afinal, tão pobre como os nossos miados, embora eles gostem de pensar que é vasta e eloquente. É uma fonte de mal - entendidos e uma pobreza de significados... De resto, se usam a mesma linguagem para "exprimir a mentira e a verdade" (como diz uma poetisa deles, uma agoniada que escrevia coisas bonitas e tinha nome de pancadaria), não é de estranhar que usem a mesma para o concreto e o abstracto.
Os humanos falam sobre Deus porque têm necessidade de o nomear. Este Yahweh bíblico tem, provavelmente, tantas faces como as dos seus crentes porque cada qual crê a seu modo. Do que tenho observado, só posso concluir que, apesar das religiões, a Fé é algo de inteiramente pessoal. E a sua ausência também. Quem não crê também é descrente a seu modo, diferente do do vizinho.
Cá em casa há muitas fés, e há ausência dela, e há diferentes crenças. Mas o que mais me impressiona é este ser transcendente _ Deus _ ter uma personalidade tão humana! Eu falo do que ouvi... Reparem...
Ele é pai. É criador (e que obras de arte e falhanços tem Ele!). Ele é juíz e legislador, a um só tempo. Ele é pastor de um rebanho. Ele é rei de um reino. Ele enfurece-se e ama, castiga e perdoa. Ele dá o poder de escolha. Ele entristece-se, ele alegra-se. Ele teve de descansar após 7 dias.
Eu, gata preta, não tenho Deus. É mais fácil viver sem Ele. Não preciso de O desculpar constantemente...

domingo, abril 03, 2005


Conselho amigo do Gato  Posted by Hello

sexta-feira, abril 01, 2005

Estranhas Tradições, O Dia das Petas

Mais um dia de calendário para exorcizar coisas mal resolvidas... Não será? Não tem mesmo lógica nenhuma isto de haver um dia no ano para se dizer mentiras à vontade, a não ser que fosse para os seres humanos (coitados, aprisionados a tanta amarra de convenções sociais) se libertarem um bocado e darem umas gargalhaditas à conta de umas piadas inventadas. Mas qual o quê... Eu tenho observado que quanto maior é a "mentirinha" e quanto menos graça tem, mais sentido faz neste Dia de Petas.

Além disso, confunde-me um bocado porque é que se estabeleceu um dia como o Dia das Mentiras por excelência quando a maior parte deles mente todo o ano? Sim, uns mais, outros menos, mas eu acho que quase ninguém chega ao fim da semana sem ter feito um desvio à verdade, por uma ou outra razão.

Por exemplo, tenho muita consideração pelo vizinho. Dá-me restos de peixe, coça-me o pescoço, é um senhor muito fixe. Mas ele também faz a sua fuga rasteira à verdade:
"Emídio, queimaste outra vez o arroz de berbigão? Que estavas tu a fazer, homem de Deus?" ; "Ó Rosa, estava a pôr a mesa, esqueci-me..." Quando na verdade, eu, Pug Gata Preta, que me sento à sua janela ao sol, à espera de um berbigãozito, sei que ele estava entretido a ver o Fashion Tv.

(Parêntesis: um dia gostava que me explicassem qual a atracção homem - Fashion TV, porque se perguntarem a um homem o que é que ele aprecia numa mulher, ele diz-vos o oposto daqueles cabides zombies que aparecem ali. Mais uma PETA ?)

O Dia das Petas não é um exclusivo português. Oh, desiludam-se, ó nacionalistas, há o "April Fool's" em todos os países anglo-saxónicos e o "Poisson d'Avril" na França e por aí fora... E todos têm mentirinha associada.

Conclusão: o que estes humanos querem é pregar partidas e dizer mentiras. Elegem um dia para celebrar coisas destas, e ainda dizem que os gatos pretos é que são seres demoníacos! Miiinnhhaauu.... fffffff!

Puggle


Uma equidna, no seu ambiente natural.
Posted by HelloO filhote deste animal australiano é que é o famoso Pug (ou Puggle) que me dá o nome. O filhote não tem picos, mas é muito difícil de fotografar: é frágil e muito pequenino e tem de viver com a mamã - literalmente, dentro de uma bolsa. É um mamífero. O parente mais próximo da equidna é o ornitorrinco, também um estranho bicho da Austrália, parece um pato com pêlos. Eu chamo-me Pug, porque este é o bichinho favorito do meu "dono". IIIiiiicccKkkk!!! bem feio, quanto a mim...

Pug


Eu, no meu ambiente natural. Posted by Hello
Gata preta, rafeira, extremamente senhora do seu narizinho (e do resto do corpo também). Eu escolhi os meus "donos" e não o contrário e eles sabem bem disso... Já fui apanhada e torturada por uns psicóticos quaisquer com problemas, mas graças a uma data de cartazes espalhados pela cidade toda e à boa vontade de alguém, estou aqui. Tenho umas cicatrizes que não passam, mas, apesar de me assustar mais facilmente, ainda me espreguiço com satisfação todos os dias!