.comment-link {margin-left:.6em;}

sexta-feira, março 31, 2006

últimas da TV Canadiana

Ontem, o Freitas e demais políticos portugueses no telejornal do Canadá em conversa com os Ministros da Imigração e Negócios Estrangeiros, a tentarem convênce-los a dar uma hipótese aos portugueses que vivem cá há 30, há 25 anos, de se legalizarem.

A reposta: "Canada must make a point. And our point is people must come here with a visa. We can't let them get away with this."

A resposta está dada.

Muitos já partiram no avião. Como sempre, a TV gosta de ir filmar as lágrimas. E lá foi filmar uma família Rodrigues (que os anglo-saxónicos dizem ROdrigueZ) que ia de malas aviadas para Portugal. E que diz que vai voltar para o Canadá custe o que custar "because this is my country", diz um filhote de 20 anos, não mais.

O repórter diz: um expatriado (eis que estou escrevendo uma "emigrantada", perdoem lá) não volta ao Canadá.

Que vai fazer esta gente, sem emprego e sem casa em Portugal?

E sem vontade de lá estar...

quinta-feira, março 30, 2006

E ainda sobre os imigrantes no Canadá (sobre mim também, já agora!) - não é "respondendo à Mimi 2"

Tenho achado muita graça a alguns posts de iluminadas cabeças sobre a situação dos imigrantes portugueses no Canadá e aquilo que o Governo português devia fazer, blablabla, rinhaurinhaurinhau...
Os senhores blogueiros primeiro metam o delicado rabo no Canadá como imigrantes e depois teclem, sim?

Em primeiro lugar, quem vai ao mar, avia-se em terra (como já disse antes). Nem sempre isso é possível, admito, mas há que mover esforços, para que tal aconteça. Dito por outros meios, um gajo tem de mexer-se para obter a legalização (e não ficar à espera que ela caia do Céu, porque milagres não aparecem há cerca de 2000 anos, pouco mais ou menos, corrijam-me senhores padres, se estou errada).

Não pensem que vim aqui parar sem mexer o couro. Pois engoli a minha lagrimazita (perguntem a qualquer um o horror que é o exame médico que nos faz a Embaixada, somos a única pessoa nua numa sala, revista e revirada e comentada). Pronto, já disse. Parece um gang bang mas sem câmaras de tv.
Pois faz-se uma entrevista em que se vasculha a nossa vida por trás, pela frente e pelos lados noutras línguas (digo, idiomas) e não convém errar. E nada nos garante que vamos legalizar-nos. Que nos vão dar a merda do visto.
Mas quem quer imigrar, sujeita-se. Não vai de mansinho, "ó tio, ajuda-me aqui que lá vou para o Canadá... e seja o que D-us quiser!" Porque agora não é a D-us que vai pedir ajuda, ou é?

Os Conservadores são assim. Feios e maus. Mas são governo no país deles. Mal ou bem (eu acho que mal, mas quem sou eu?) estão no poder.
Os senhores blogueiros acham que Portugal pode vir agora cá dizer ao Primeiro Ministro do Canadá "não governes assim, governa assado?" Está tudo doido?
Por acaso Portugal admitia que o Canadá lhe fosse dizer como governar o seu país?

A coisa só é linear para quem vê com viseira, como os cavalinhos de olhos tapados.

Os imigrantes ilegais agora põem-se de mãos postas para o governo português. Eu entendo que as pessoas desesperam. Têm de se virar para alguém. Um gajo que se afoga agarra-se a uma palhinha. Mas o governo português não pode fazer muito. Sejamos realistas.

E os senhores que "emitem opiniões" (os pseudo-jornalistas também) , tenho muita vontade de lhes fazer o exame médico e a entrevistazita. Ficavam a conhecer melhor o lado de cá. Com visto.

Neuras SEM causa


--- Posted by Picasa

Eu já não posso mesmo é com aqueles gatos constantemente amargos. minhauuuufffff!!!!

Não me digam que não os conhecem também... O típico gato gordo, de barriga bem cheia, bem alimentado pelos donos, de pêlo luzidio e bem escovado, que não sabe caçar porque nunca precisou (e logo já perdeu todo o instinto e nunca desenvolveu a aptidão), que dorme o seu sono ao sol no Verão e ao quentinho do fogão no Inverno... e, com todas estas mordomias, ainda passa a vida mal-disposto e rezingão, queixando-se que a vida é uma treta, que não há nada que lhe corra bem, que este mundo está virado do avesso, que a sorte só sorri aos outros, blablabla, minhau, minhau, minhauuu.


Ninguém o atura.

E, pelo contrário, há tanto gato com pouca sorte, que mal tem uma espinha para enganar a fome, que tem o pêlo ruçado de tanto esfregar o lombo nas esquinas à procura de comida para os seus gatinhos pequeninos, que passa frio de morte, ...mas goza o sol com alegria quando ele aparece, brinca com quem lhe faz festas e está grato por viver e pelos pequenos milagres da vida.

A estes gatos, apetece encher de mimos.

Já não posso com gatos pançudos e queixosos, gatos amargurados sem razão, que não podem ver uma sardinha num prato alheio sem lhes brilharem os olhos de inveja.
Amigos? Quem disse que os gatos são gregários?

Minhauuuffff

terça-feira, março 28, 2006

CATS! ..... minhauuuuu


Theatre District , Manhattan, NYPosted by Picasa

Gosto de NY. Isso é dizer muito, porque as cidades modernas nunca foram o meu pratinho de atum preferido.
A Broadway sempe me encantou. ;) Fico fascinada por ver que há tanta gente talentosa em poucos metros quadrados. E o que é mais... Tanta gente talentosa e pouco conhecida, que não está minimamente preocupada por não o ser. Genuinamente alegre por pisar tábuas e sem essa frenética sede da fama.
Pessoalmente, acho que a fama deve ser uma coisa que tolhe muito os movimentos. Tudo o que nos rouba a liberdade, encerra-nos. E quem é que quer ser encerrado???

Antes ser gato livre. ;)

Desculpem a falta de posts, mas estou um bocadinho ocupada...
There are no Cats in America
And the streets are paved with cheese...

sexta-feira, março 24, 2006

Os Gatos não Fazem Anos!!! minhauuffff













Banner by Hugo S.

Minhauuuffff!

Ligo tanto a estas coisas como à primeira unha que me caíu (sim, os gatos renovam as unhas) e logo não me lembrei que tenho um blog há um ano.
No entanto, um dos irmãos da minha "dona" - ela insiste em pensar que é, de facto, minha dona mas quem tem todo o jeitinho para mansamente comandar sou eu... - é um rapaz imaginativamente cibernético, e não podia perder a oportunidade de fazer mais um gif. Foi ele que mandou mail a avisar que venho mandando a minha "dona" postar há um ano e que fez este boneco tão giro que está aí em cima.
Não tinha mesmo vontade nenhuma de anunciar aniversários, mas queria mostrar a banner do puto mais pequeno. Já agora aproveito para dizer que quem manda neste blog sou eu e vamos lá a ver se acabamos com estas rebaldarias de intromissões humanas ( = posts indisfarçadamente dela, da "dona"). Que faça um blog seu em vez de andar aqui a abusar do meu! MinhauuuuFFFF!

quinta-feira, março 23, 2006

Respondendo à Mimi... minhauuufff

Sim, leste bem. O novo PM do Canadá está a alterar a política de emigração. Todos os emigrantes que não estiverem legalizados, são expulsos.
Mimi querida, já sabíamos que ia ser assim... Os Conservadores tinham "avisado" que essa ia ser a sua política. O mais triste é ver muita gente tão mal informada, mas tão mal informada (Oh! Será que não prestaram atenção?! Grandes olhinhos da Gata inocentemente abertos...) que até votaram neles para verem os seus amigos do peito, vizinhos de longa data e namorados serem expulsos a seguir. Conheço muitos casos. Têm, efectivamente, poucos dias para sair do país.

Claro que há muitos portugueses ilegais no Canadá. O número apareceu ontem na TV. Hip Hip. :(
Mas também te digo uma coisa... Somos um povo bem cheio de preguiça para tratar de papéis... Ficamos à espera que venha o "Governo" tratar da nossa situação. Temos muito braço para trabalhar, somos uns cavalos de força, para isso ninguém nos ganha! Mas porque raio não nos mexemos para legalizar a nossa situação? Não é agora que a casa foi roubada que vamos meter as trancas na porta... Um gajo que vive 30 anos ilegalmente, e nunca mas nunca se deu ao trabalho de legalizar os filhos porque "não vale a pena se eu nunca me legalizei e sempre vivi aqui" e os netos vão no mesmo caminho, admira-se... Agora, culpa Portugal e D-us e o camandro.

Eu não concordo minimamente com a política dos Conservadores e o novo PM do Canadá ... pffff!
Acho até que o tiro lhes vai sair pela culatra porque esta gente vai acordar, e os próximos hão-de todos legalizar-se a tempo e horas e furar o esquema que eles pensam que estão a construir.
Tirinho no pé.
De resto, Mimi, a política de emigração na América do Norte só é jeitosa para quem nunca passou por ela...

Estranhos Momentos # 5


Loie Fuller, by Kolomon Moser Posted by Picasa

Na minha vida enquanto professora (e já lá vão seis anos a fazê-lo), tive a sorte de ter muitos, mesmo muitos bons momentos. Ontem, tive o momento mais triste. Foi a primeira vez que um aluno (na verdade, uma aluna) morreu.
Para falar com absoluta transparência, já não era minha aluna... Mas gosto de ir sabendo notícias destas vidas em que toquei, e lá vou contactando, de um modo ou doutro, um e-mail aqui ou ali, uma visita que me fazem de tempos a tempos. Ficamos amigos. :)
Disseram-me ontem que a J. morreu, num acidente de carro. A neve tem destas coisas e ela também tinha ido viver para um lugar cheio de neve, no extremo da Europa.
Uma rapariga dois anos mais nova que eu, só. Cheia de vida e daquela malícia saudável, que fazia barulho quando andava porque usava mil e uma pulseirinhas. Com pressa de experimentar tudo e com olhos muito brilhantes. Lembro-lhe de lhe dizer que ela se dispersava muito, de lhe chamar a atenção, de lhe dizer que devia ter mais calma porque a vida não acabava já...
Afinal, acabava mesmo... :(

terça-feira, março 21, 2006

Virtualmente falando...

Tenho pensado um bocadinho - muito também faz mal... ;) - nisto do mundo virtual. Felizmente a esmagadora parte das pessoas que conheço não tem um blog e nem sequer lê blogs... e digo felizmente porque gosto de ter amigos que apreciem mil coisas diferentes, que é para nunca cair na rotina e estar sempre a aprender mil e uma coisas novas de mundos novos e quase desconhecidos para mim com cada um deles.
Conheço, porém, alguns que passam algum tempo no computador. Para já, porque temos amigos por esse mundo fora e falar por msn é bem mais económico, blablabla... Sabem como é.
Esta semana, porém, tive uma arrepiante conversa que confirma o que venho pensando há já algum tempo: o pessoal está a dar demasiado importância a uma porcaria de uma coisa que funciona por bytes.
Alimentar guerrilhas por teclado parece de quem não se sabe bater em campo aberto. De quem se arma em herói porque sabe que tem a protecção do ecrã, da distância e, não raro, do anonimato. Noutros tempos, chamava-se a isso falta de tomates.
Igualmente, as paixões virtuais me parecem ridículas. Dir-me-ão que são platónicas, dado que não pode haver ali estímulos sensuais à mistura... E eu digo-vos que uma paixão onde não entrem os cinco sentidos todos, exaltadíssimos, confundídissimos, é uma pobre coisa.
Enfim... são opiniões.
Recentemente, um casal que conheço separou-se por causa de uma brincadeira destas. Uma traição virtual, dizem. Mas qual traição?! Deve haver muita coisa no ciber mundo com a qual ainda não estou familiarizada... Como diz o meu irmão:"sim, mas para já não..."

sexta-feira, março 17, 2006

Estranhas Tradições # 16, St Patrick's Day

Está tudo doido, hoje...! Dir-se-ia que o Canadá está repleto de irlandeses, de tal modo celebram esta tradição, que é irlandesa até à medula (deveria dizer até ao talo do trevo...)
Só se vêem pessoas completamente vestidas de verde, bebendo cerveja todo o santo dia (uma boa razão para que a tradição pegue em todo o lado!), não raro cerveja coradinha de verde também.
Dizem os irlandeses que St Patrick foi quem levou o Cristianismo para a Irlanda e é também o padroeiro do país. Há diversas lendas associadas ao Santo, mas a mais famosa tem a ver com o facto de ele ser o responsável por não haver serpentes na ilha... Milagrosamente, o Santo (como o Flautista de Hamelin fez aos ratos) tê-las-ia levado todas a abandonarem os domínios irlandeses. :) Certo, certo é que foi ele quem acabou com os cultos pagãos por lá. Terá mesmo acabado? ;)
Ninguém sabe ao certo porque se celebra o dia do Santo a 17, mas é o dia mais festejado à roda do mundo na diáspora irlandesa, de modo que já estão a ver... A música (uma grande misturada celta e normanda e todos os outros etc ; não se pode ficar quieto quando se ouve aquele ritmo diabólico!), as lendas de duendes, potes de ouro no fim do arco-íris e Blarney Stone, a sorte em forma de trevos, muita, muita bebida e piscares de olhos eloquentes! :)
Os que, de entre vocês, conhecem irlandeses, vão dizer-me que nunca eles precisaram de um dia marcado para beber... Bebem todo o ano. :) E aqueles que os conhecem de um bar que eu cá sei estão a pensar que nunca eles precisaram de um dia para bater com os copos vazios na mesa e desatar a cantar aqueles rodopios ... Fazem-no todo o santo ano! :)
No entanto, como se diz "lads and lasses must keep traditions".
Sou suspeita... Eu gosto desta gente.

quinta-feira, março 16, 2006

Praga


the cave of the storm nymphs, by edward poynter Posted by Picasa


Sim, morreu.
Escusam de numerar a campa.
E atirem tudo o que foi dela, com bastante de meu,
Pela janela fora.
Pela janela, ao limpo mar.
As pessoas que estavam a chorar tanta bondade... Rua!
A sua estrela? Que pena eu já não ter chegado a vê-la!...
Hirta, como a tábua a navegar.
Tirem-lhe o brinco, as cores com que corou,
E só eu acendi na sua face,
E o sapato, tão breve, com que andou comigo à beira-mar.
Sua pegada, calquem!
E nunca mais a água salgada que nos criou
Em seus vestígios passe.


Nemésio

terça-feira, março 14, 2006

Estranhas Tradições # 15, Purim


É no Livro de Ester que encontramos a história desta tradição.
Quando governava Ahasuerus (a tradução deste nome não é pacífica, podem encontrar outras versões...) na Pérsia, o seu ministro Haman decidiu exterminar os judeus porque o judeu Mordecai se tinha recusado a fazer-lhe uma vénia.
Ao saber do decreto de Haman, Mordecai, aflito, intercedeu pelo seu povo junto da nova rainha (a recente segunda mulher do rei), Ester. Ester era uma orfã, também ela de sangue judeu.
O Livro conta que Ester jejuou para se preparar para a sua tarefa de persuasão (ela lá sabia...) . Facto é que convenceu o marido não só a poupar os judeus, como a dar-lhes o direito de se defenderem no território persa, e até o levou a matar Haman no lugar que este tinha preparado para Mordecai.
Assim, todos os anos, os judeus celebram a continuação do seu povo e da sua cultura permitida, desta vez, pela força persuasiva de Ester (o nome é uma forma do persa satarah = estrela) num festival que se chama Purim.
Purim está cheio de máscaras e fantasias (uma espécie de Carnaval judaico muito específico), que teatralizam comicamente a história de Ester, Haman e Mordecai.
É, ainda, uma época particularmente festiva, em que beber vinho é algo de fundamental.

Purim é celebrado com uma alegria contagiante, sobretudo pelas crianças.
Porém, as origens do Livro de Ester permanecem obscuras ainda hoje e há quem defenda que é um livro repleto de adaptações de casos de deuses da Babilónia, de mitos gregos pagãos, de histórias do Médio Oriente. Foi um dos últimos livros a entrar na Bíblia.

domingo, março 12, 2006


Hope, by George Frederic Watts Posted by Picasa


"Assumo a noite e o mal que nela está
Como na rosca estriada o equinoderme.
Tenho a culpa de tudo. A boca de eu,
Eu, eu, eu, golfado...E o mais, um verme.

Sou investido por mim mesmo no outro,
Ajoelhado na rua, a apanhar trapos.
E o que carrega, e a criança decepada,
Encarno em sua mãe e em seus farrapos.

Tiro lama das unhas. Acendo o cocktail do desespero.
A estrela morta num milhão de anos-luz.
E vendo que sou assim como a espora no flanco do cavalo fugido,
E o casco, e o pó...
Páro à porta de Deus e choro.
Páro à porta de Deus e choro só. "

VN

(As linhas não estão quebradas como ele as escreveu, mas sim como ele as disse...)

sexta-feira, março 10, 2006

Conversas que a Gata Preta Ouve # 16 ou Quando um Profe Deve Pensar Duas Vezes Antes de Abrir a Boca ...


puberdade Posted by Picasa


- Não se admite que tenham boas notas no exame escrito e depois façam estas borradas vergonhosas no exame oral! Ouviram bem?
O que vocês precisam é de praticar a oralidade! Mas muito a sério! Isto não é só falar na aula!
Não me interessa com quem a praticam, mas pratiquem-na! Agarrem numa pessoa qualquer e pratiquem a oralidade, por alma de quem lá têm! Em qualquer lugar... Qualquer ocasião é boa!

(risos)

- E o que é que se passa agora?!?!
- ... Sra Prof... Isso assim, praticar a oralidade em qualquer lugar... No Canadá, é contra a lei.

quinta-feira, março 09, 2006

Le Canada


Marché Bonsecours à Montreal, Caiê Posted by Picasa
(este mercado de artesanato já foi a sede do Parlamento... prova de que o mundo gira sem parar e todo o Império cai!)
Se quisermos ser historicamente rigorosos, os primeiros europeus a chegarem ao Canadá não foram os britânicos, mas sim os franceses. Claro que os franceses estão sempre a ressalvar este facto e a verdade é que os anglo-saxões baixam as orelhas à evidência do Jacques Cartier ter alcançado a Terra Nova por volta de 1534 e o Samuel de Champlain ter fundado a colónia do Québec um pouco mais tarde. Na verdade, se quisermos ser extremamente rigorosos os primeiros europeus a atracarem cá as barcaças foram os vikings (MUITO antes de tudo isto... tão antes que ninguém se lembra, e só deram por isso quando descobriram evidências arqueológicas na Terra Nova, dando razão à minha amiga Pia que diz que eram bons rapazes e tudo o que me ensinaram na escola estava errado!).
O Canadá é, hoje, um país com duas línguas oficiais. Tudo deve vir com instruções bilingues. Eu, por exemplo, fiz os meus papeis da embaixada em francês e os meus papeis médicos em inglês (só D-us e o Diabo sabem porquê...). Quanco cá cheguei, descobri que o bilinguismo não era tão evidente. Na verdade, os franceses falam inglês e os ingleses raramente sabem falar francês. O que permite aos primeiros fazer piadas sobre os segundos sem que eles se apercebam. Problema deles. Learn it.
O Canadá francófono é enorme. A província do Québec (corram para o mapa!) é bem maior que a França. Além disso, o Canadá da costa atlântica está cheio de territórios francófonos a juntar ao Québec - às vezes, sitiozinhos perdidos (e lindos!), como Saint Pierre et Miquelon... :)
Os canadianos francófonos falam um francês especialíssimo. Demorei a habituar-me... (e estou em território anglófono, mas trabalho com alguns francófonos). Não é o francês suave e cheio de doçuras (onde até as guturalidades soam a voz de quarto-de-cama) da França. É uma coisa apressada e áspera de quem tem mais que fazer do que enrolar palavras. Alguns têm o ritmo cantadinho e as vogais cheias, semelhante à Normandia (uma herança dos antigos colonizadores, certamente...).
Além disso, NUNCA usam anglicismos: bon weekend (um anglicismo comum na França) é uma coisa mortal aqui! Todos dizem bonne fin-de-semaine. Preservam a língua- e logo, a cultura - francófona com as unhas (pronto, mais com os dentes...)
As ruas, as casas, as igrejas são mais bonitas no Canadá francês que no inglês. Mas de longe! As pessoas têm mais joie de vivre. Come-se melhor. Mesmo a fast-food tem o intrigante cheiro charmoso de uma poutine. A música tem algo que apela ao coração.
Há o eterno dilema (nunca resolvido) no país em relação à independência do Québec, espécie de cérebro do Canadá francófono. Por enquanto, o movimento separatista não tem (con)vencido, mas por pouco. De qualquer modo, a política no Canadá (que é uma democracia parlamentar federal) está muito virada para o regionalismo... Cada província trata dos seus assuntos e o Governo central é central... não centralizador.

quarta-feira, março 08, 2006

Neuras com causa # 2


Pug a pensar... Posted by Picasa

"Some people think they are generous because they give out free advice..."

humpf!

minhauuuuFFFFF!!!!

segunda-feira, março 06, 2006

Filosofias # 6



"Podes acreditar em pedras, irmão, mas isso não te dá o direito de as atirares a mim!"

(assim disse uma senhora muçulmana, cujo nome não faço ideia, esta noite na TV, ao entrevistador, que a questionava)

Quadro: the gust of wind by Levy-Dhurmer

domingo, março 05, 2006

Os Canadianos Nativos

Demorei uma data de tempo a perceber o que era, realmente, um native canadian porque, sempre que eu fazia perguntas sobre o assunto respondiam-me com "hum hum, cof cof, tribos várias, nunavut" e uma data de palavreado que fazia puxar de um dicionário inuit- inglês (haverá?!) e de uma grande dose de paciência.
Cá vai o que, entretanto, julgo ter destrinçado. Ninguém duvida que os primeiros habitantes do Canadá foram umas tribos nómadas que, aparentemente, vieram da Sibéria para o Alasca e desceram em busca de climas mais suaves. A palavra "suave" só faz sentido por comparação com a Sibéria e o Alasca, como calculam...
Entretanto, como se dividiram por todo o vasto território ("vasto" é um adjectivo que não expressa bem o Canadá... milhas e milhas de gelo... enfim, onde é que eu ia?), acabaram por se tornar tribos completamente independentes e culturalmente diferentes umas das outras.
Os do extremo Norte mantiveram o estilo de vida nómada. São os que conhecemos como "esquimós" (palavra ofensiva, dado que significa "comedor de carne crua"... pois, não é muito viável cozinhar ali no meio do igloo!). Hoje, é preferível chamá-los inuits, o nome pelo qual se conhece este povo, do qual se estima que existam cerca de 51 000 pessoas, ainda hoje, vivendo de modo não muito diferente do que sempre viveram.
Antigamente, havia ainda um número apreciável de tribos várias, aqui na zona dos Grandes Lagos e na zona do rio Saint-Laurent, que falavam iroquês - portanto, iroqueses (embora, dentro desta designação caibam várias tribos). Tribos diferentes viviam para os lados do Pacífico (no que é hoje Vancouver) e outras ainda nas planícies (no que é hoje Manitoba), como os Black-Foot, o que prova que o cinema, às vezes, tem umas sementinhas de verdade... ;) Estas tribos todas, a que antes se chamavam "índios" chamam-se hoje "indígenas" ou "povos das primeiras nações" (na verdade, a coisa é polémica, uma pessoa confunde-se e o melhor é esperar primeiro, ver o que eles se chamam a si mesmos e depois avançar com a mesma denominação para não ser politicamente incorrecto!). O que resta dos "primeiras nações" é cerca de 750 000, mas só alguns são status indians, ou seja, só alguns estão em reservas.
A maior parte prefere NÃO viver em reservas e ainda fala da grande devastação da terra e do seu povo feita pelo homem branco.
Há ainda os Métis, um pequeno número que advém da mistura dos indígenas com os primeiros colonizadores franceses.
Nos anos 60, criou-se no Canadá a AFN (Assembly of First Nations), uma associação intertribal que lutou pela autonomia (que continua a ser só relativa) das reservas e levantou muitos processos jurídicos acerca dos territórios que tinham sido retirados aos nativos. O governo federal do Canadá passou a prestar-lhes atenção a partir de 80, mas os inuits e os first nations continuam muito mais pobres que todos os outros cidadãos.
A sua maior conquista é terem conseguido (re)fundar Nunavut, uma terra natal sua nos territórios do Norte, que, novamente, lhes pertence.



Foto: Totem, um dos símbolos da arte dos first nations,
McCordia Museum of National History, by Caiê
(a foto só mostra 1/3 do totem)

sábado, março 04, 2006

Parabéns, minhauuuu # 2


Minhauuuu… Os irmãos da minha « dona » fazem ambos anos em Março. Isto significa que a mãe dela, em Junho, teve uma vida particularmente activa, já que a minha “dona” também tem o seu aniversário em Março. Coisas da biologia. E ainda dizem que os humanos não têm lá os seus relógios! Só se não calhar... ;)

Então, puto mais pequeno, parabéns! Custa a crer que ainda ontem eras uma cria pequenina e todos tínhamos de te fazer as vontades, senão abrias essa boca grande... ;)
E “se nascer um gato amarelo é meu e vai chamar-se Garfield”. Como nasceste com o rabo virado para a lua (por acaso nasceste de noite, mas é irrelevante isso do rabo, saíste direito), houve, CONTRA TODAS AS PROBABILIDADES da genética, um gato amarelo naquela ninhada. E foi teu. E foi Garfield. E ainda roubaste outro à Caiê. Grrrrr. E ainda chateavas o Gabas todos os dias e noites. E mais Grrrr. E é um mistério a razão pela qual gostamos tanto de ti. E nem podemos viver sem as tuas opiniões e o teu coração de manteiga (que eu sei que tens, porque me vens fazer festinhas quando ninguém está a ver... schiu.... ninguém tem de saber.) Porta-te! ;)


Foto : Patisserie de la Madeleine, Paris, Caiê

sexta-feira, março 03, 2006

e agora sobre o AMOR...


... sobre o AMOR, eu só quero informar que não tenho mesmo nada a dizer;)


minhauuuu













Foto: Audrey Hepburn e Mel Ferrer

quinta-feira, março 02, 2006

Parabéns, Minhauuu!


Enigmas...:) Posted by Picasa

O meu bom amigo, que toma conta de mim quando os meus "donos" dão de frosques e me abandonam os dois, desertando sabe-se lá para que zonas inóspitas, faz anos!
Esse enigmático rapaz, que entra rodando a chave devagarinho e fazendo Hey Gata em vez de bsch bsch , que tem uma mochila ainda mais enigmática e interessante (mistura de cheiros inconfundível - suor, sal e carvão da lápis), e que tem um sorriso lindo, já é maior de idade.
Ah! Que coisas o esperam agora? :) minhauuuu

Feliz Aniversário!

(pensar que te conheço há este tempo todo e ainda me surpreendes... :P)

" A melhor coisa da vida é ter um irmão para lhe dar uma arranhadela quando estamos irritados e uma lambidela em dias fixes" disse o Gato (das Botas). :P

quarta-feira, março 01, 2006

Volta, chefe, estás perdoado!


a jovem trabalhadora Posted by Picasa

O meu chefe está doente. O chefe-mor. Sim, porque todos sabemos que, em cada emprego há mil e um chefes e, abaixo do chefe-mor, há mil e um chefes menores. São mais os que mandam do que a massa trabalhadora. Não que os chefes não trabalhem! Cof, cof!...
Isto do chefe estar doente (e está mesmo doente, a coisa não é fita) e não vir trabalhar há uma semana afecta toda a gente. A alguns dos chefes menores, começa mesmo a apetecer trabalhar! Nunca se viu tal empenho. Estarão doentes também? Uma epidemia grassa por todo o edifício. Há suspeitas de uma febre viral.
As secretárias deixaram de usar os bonitos decotes que se arrastam e as saias que se encolhem. Passaram às golas-altas! Não pode ser. Chovem protestos! Deixámos até de receber visitas dos gajos giros de outros departamentos!
As pessoas andam acabrunhadas... A verdade é que o chefe dizia piadas inteligentes. Ríamo-nos sempre com o chefe (embora alguns não o percebessem...). Deixaram de fazer sentido as graças entre nacionalidades e religiões que se diziam para picar o chefe (o chefe tem três nacionalidades e fala cinco línguas, que não a minha, pelo que posso sempre meter-me com ele).
Até eu sinto a falta do chefe. Dizia sempre, quando passava pela minha porta "Alguma criança se esqueceu ontem aqui duma boneca... Ah não, afinal é a C. Desculpa lá, quando é que cresces?"
O chefe faz-nos falta.
Chuif, chuif.
Estou sentimental.