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terça-feira, junho 27, 2006

Carta ao Senhor

"Querido D-us,
deve ser muito difícil amar toda a gente no mundo, e, ainda por cima, por igual.
Só há quatro pessoas na nossa família e eu nunca consigo fazer isso..."

Ginny, 8 anos

quarta-feira, junho 21, 2006

Sabes que mais?

O gato com o rato na boca perde-o logo se mia "Venham cá ver o que eu cacei..."

quarta-feira, junho 14, 2006

Filosofias # 5


















"Escrever é também não falar. É calar-se. É gritar sem ruído". Marguerite Duras.

Se perdeste a voz, agarra num bloco de notas! - disse aquele senhor sério e ditatorial, que tinha um nome qualquer... já me esqueci qual era, mas era costume chamá-lo por um nome, no meio do ruído a que se chamava música, ruído, fios, e o nome, o nome era, agora não sei, se perdeste a voz, interessam sobretudo os sons aqui, o nome, ah já sei, como um trovão (nunca uma luz) aparece - Pai (nunca papá).

segunda-feira, junho 12, 2006

Portugal, não me leves a mal...

Sábado à noite, notícias. Uma reportagem sobre o jogo do Mundial onde Portugal se ia estrear a jogar contra Angola. Os portugueses dizem que não podiam ter melhor estreia, porque Angola é "país irmão". Uma imagem a condizer, onde uma adepta portuguesa abraça um adepto angolano. Boa! estamos aqui como irmãos! Paz, amor e bola em campo!
Segue-se outra notícia. É 10 de Junho e homenageiam-se os combatentes mortos na Guerra Colonial. Os ex-combatentes (vivos, claro!) vão ao paredão com os nomes dos mortos e lá contam a história do que foi lutar pela Pátria (ahn, importa-se de repetir?) e como é importante que ninguém o esqueça.
É só a mim que este alinhamento de notícias me parece uma merda - Ó sr. Editor, francamente! - e bem revelador da esquizofrenia em que Portugal vive???

"Então, foi bom?"

.... Não me perguntem nada e eu prometo que não digo mentiras.

terça-feira, junho 06, 2006

Até... (breve, espero!)
















"Se aceitares o meu convite agora, faço-te presente dos mais inusitados e inolvidáveis mundos desconhecidos..."

A Gata Preta parou e pensou que este era o convite mais original e promissor que recebia há muito tempo (tempo? o que é isso?), ainda que, vindo de um aventureiro, pudesse sempre ser como a velha canção.
Virou-se, nas 4 patinhas, e miou: "Eu sempre quis saber como seria embarcar por uma noite, em segredo."


Foto: C.M. no porto da Horta, Caiê.
(A Caiê interroga-se: O que quererá a Pug com esta escapadela marítima?)

sábado, junho 03, 2006

As Conversas dos Putos # 10
















-Mãe, os gatinhos vão para o céu quando morrem?
- Claro.
- E assim pequeninos são gatos-anjos?
-São.
-Com asas?
- ... Não.
- Porquê?
- Porque não gostam de voar.
-Ah.

(dois minutos mais tarde)

- Mãe, e vou encontrá-los depois?
- É possível, mas nunca podemos ter certezas.
- Porquê?
- Hum, porque o céu é muito grande.
- Mas eu vou procurá-los! E eles também a mim, eu tenho a certeza!
- Ah bom, nesse caso, não há razão para duvidar. Quem quer encontrar-se, nunca falha o encontro.

(... meio minuto mais tarde)

- Ó mãe, e se chegarmos ao céu e os gatinhos não estiverem lá?!
- Vamos embora, claro. Estamos num céu que não é o nosso.

sexta-feira, junho 02, 2006

Estranhos Momentos # 8


Tenho uma amiga que adora ver programas sobre sexologia. Eu pensava que, em Portugal, só existiam os do Júlio Machado Vaz, senhor que, por acaso, sempre admirei pela sua descontracção quase total. É muito agradável ver alguém que, enquanto fala de sexo, se encosta no cadeirão, deita no sofá, estica na poltrona, ajusta no décor, debitando sempre com uma pontinha de "mas olhe que pode nem sempre ser assim..." Ah, é fenomenal. Ele tem (algumas, muitas também não!) dúvidas e é descontraído. Mais um bocadinho e levávamos o senhor para casa.


Entretanto, parece que, agora, há dezenas de programas sobre sexologia mas nenhum com descontracção e todos cheios de certezas absolutas. Assusta qualquer um, a meu ver. Já disse à minha amiga que ou deixa de os ver ou ainda acaba na Psiquiatria, convencida que sofre de doenças que nunca teve e de fetiches inimagináveis.


Não será toda a gente diferente e, portanto, um bocado redutor andar a classificar as pessoas com aquela autoridade toda quanto ao modo como fazem ou deixam de fazer amor?
(enfim, exceptuando os casos de patologias violadoras, mas isso nem tem a ver com amor e desconfio até que tenha pouco a ver com sexo, mas mais com sentido de poder sobre alguém, digo eu...)


Outra coisa extraordinária é o forte sentido para se dramatizar as questões, no estilo: "Os casais de hoje já não fazem amor quando querem, mas quando podem! Isto é uma tragédia dos tempos modernos!"
Ó criaturas, mas tudo na vida é assim! Tudo se faz quando se pode, ao invés de quando se quer. Eu gostava de comer camarão ao almoço e ao jantar, mas depois ficava com uma indigestãozita no estômago e no bolso... Adorava ir passar férias à Austrália, mas, evidentemente, não posso, por falta de tempo e de dinheiro, and so on and so on... Gostava de ir à praia, mas até está nevoeiro. Que drama! Vou amanhã. Mundo cruel!


Não passamos a vida, precisamente, a ensinar aos putos "não terás tudo o que queres na vida, por isso habitua-te, Pedrinho, hoje não comes bombons!" ... e depois vem alguém dizer uma barbaridade infantil destas a adultos! Oh, Senhor!


Foto: Anne Taintor

quinta-feira, junho 01, 2006

Estranhas Tradições # 18, Shavuot

Dizem-me que, originalmente, Shavuot celebrava "os primeiros frutos", como, aliás, tantas celebrações em tantas culturas diferentes. O facto é que os Gatos não lêem. Desconfio que, mesmo que lesse, nunca leria hebraico nem aramaico, pelo que não chegava a descobrir o significado original da celebração na Torah. Neste particular, tenho mesmo de confiar no que me dizem.
Eu, no entanto, sempre a conheci como a festa que celebra o receber dos 10 Mandamentos no Monte Sinai. Escuso de contar a história, porque calculo que a maior parte já tenha uma ideia a traços largos - "mas como, alguém estava lá?" , isto é o que costuma dizer o Rapaz das Filosofias, esse céptico terrível que tem sempre "tábuas-rasas" para tudo e nunca se incomoda.
Assim, Shavuot marca a aliança (os místicos dirão que toda a aliança pressupõe um casamento; os mais tradicionais dirão que estamos em presença de uma aniversário histórico, porque a revelação divina foi directa.)
Seja qual for a maneira como a olhemos, é uma celebração de alegria, e não é essa uma das coisas que parece faltar no Mundo ( que não o da Gata Preta, minhauuuuffff) ? ...