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domingo, setembro 24, 2006

E depois do adeus (?)


O momento em que se soltam as amarras dos barcos não é bem aquele em que o barco parte. É aquele em que descobrimos, meses depois, surpreendidos, que a primeira coisa que nos ocorre ao despertar não é o último abraço que demos no cais da partida.


Foto: uma amarra perdida na água, Caiê

sexta-feira, setembro 22, 2006

On a Hot Tin Roof... Where do we go from here?


















Maggie: Oh Brick, how long does this have to go on? This punishment? Haven't I served my term? Can't I apply for a pardon?
Brick: Lately, that finishin' school voice of yours sounds like you was runnin' upstairs to tell somebody the house is on fire.
Maggie: Is it any wonder? You know what I feel like? I feel all the time like a cat on a hot tin roof.
Brick: Then jump off the roof, Maggie, jump off it. Now cats jump off roofs and they land uninjured. Do it. Jump.
Maggie: Jump where? Into what?
Brick: Take a lover.
Maggie: I don't deserve that! I can't see any man but you. With my eyes closed, I just see you. Why can't you get ugly, Brick? Why can't you please get fat or ugly or somethin' , so I can stand it?
Brick: You'll make out fine. Your kind always does.
Maggie: Oh, I'm more determined than you think. I'll win all right.
Brick: Win what? What is the victory of a cat on a hot tin roof?
Maggie: Just stayin' on it, I guess. As long as she can.

Cat on a Hot Tin Roof, a Richard Brooks' 1958 movie, with Paul Newman and Liz Taylor, based on a theatre play by Tennessee Williams.

quinta-feira, setembro 21, 2006

O Correio da Gata Preta

















Minhauuuuuuuuu…Isto de ser uma gata com e-mail (pugsworld[AT]hotmail[DOT]com) põe as pessoas muito confusas… Eu, Pug, a Gata Preta, recebo na minha caixa de e-mail dezenas de coisas fascinantes, entre as quais e a saber :
- cartões electrónicos de machos e fêmeas humanos que nunca vi, pertencentes a uma comunidade virtual (ao que chegou o desespero da espécie! Ou será a zoofilia um passatempo assim tão procurado?)
- mails de um determinado banco que me considera sua cliente (e sempre gostaria de saber quanto dinheiro terei EU nessa instituição bancária, só é pena que não possa lá ir provar a minha identidade e levantar umas massas que, aparentemente, alguém tem, e usa o meu e-mail como seu…)
- mails do Tribunal Superior Eleitoral da República Federal do Brasil. Sim! Eu posso votar nesse país irmão, assumindo a identidade de Gata! Bacana! Infelizmente, dado que não pude, por imperativos óbvios – que eu sei mas eles não – comprovar a minha identidade física, fui informada que o meu direito de votar foi cancelado. A minha tristeza não pode expressar-se por palavras. Eu mio em dó menor…
-quanto àqueles mails menos simpáticos... vão à farmácia, meus amores, e perguntem por uma pomadinha para esfregar no cotovelo. Não têm mais nada para fazer? (endireitar a gravata, ir ao cabeleireiro, pintar as unhas enquanto discutem o preço das courgettes, eu sei lá, essas coisas interessantíssimas).

Foto: Pug dentro da máquina de secar, porque é preciso descobrir novos lugares, Caiê.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Importa-se de Repetir?...

"As pessoas passaram o dia todo a preparem-se para receber o furacão Gordon."

disse o jornalista Luciano Barcelos, que falou para o Jornal 2, em directo da cidade de Angra do Heroísmo.


Ora! Nós, nem para as visitas, fazíamos melhor... É do best, vinha das Amércolas. Temos de ser bons anfitriões, caraças! minhauuuuufffff.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Conversas que a Gata Preta Ouve # 23















-Pronto! Já escrevi um livro, já plantei uma árvore e já tive um filho! E agora? Não me resta fazer mais nada de importante, segundo a merda daquele provérbio chinês…
-Talvez esses ditados orientais não se apliquem à nossa vida cá deste lado, quem sabe?
-Ai que tédio monumental! O pior é que nem sequer tenho 30 anos! Já viste bem a quantidade de anos que tenho para viver, na monotonia ? Que pasmaceira, que pasmaceira, que vontade de chorar!...
-Desculpa lá, mas isso parece a conversa da milionária que não sabe o que há-de fazer ao tempo livre. Por amor de Deus, deixa-te de depressões. A maior parte das pessoas bem gostava de ter atingido tudo aquilo que já fizeste – já pensaste bem nisso?
-E depois aborreciam-se e ficavam a contar moscas neste deserto imenso, essas tristes, filosofando tolices para passar o tempo.
- Apetece-me dar-te dois estalos! E isto já vem de trás. Já quando eras pequena, davam-nos duas ou três tarefas para fazermos numa hora e tu fazias aquilo em 15 minutos e passavas o resto do tempo a bocejar, e dizendo «não há nada para fazer, ai que chatice, como o tempo passa devagar, que é que se pode fazer aos minutos?»
-Não tenho culpa dos outros serem lentos!
-Pois não. Mas os outros também não têm culpa de seres hiper-dotada.
-Os outros, os outros ! Passamos a vida a pensar nos outros.
-Faz sentido, não ? O homem é um ser social.
-É. Passa a vida a reger-se em função dos outros e depois morre sozinho.


Foto: Cemitério de Montpellier.

domingo, setembro 17, 2006

The Mean Reds (or A Cat Without a Name)













-Listen, do you know those days when you get the mean reds ?
-The mean reds ?... do you mean like the blues ?
-No, the blues is because you are getting fat or because it will be raining tomorrow. You are just sad, that’s all.The mean reds are horrible. It means you are afraid and you don’t know what you are afraid of. Do you ever get that feeling ?


-Sure he’s ok. Aren’t you, cat ? Poor cat. Poor old slob without a name. I don’t think I have the right to give him one. We don’t belong to each other, we just hooked up by the river one day. I don’t even want to own anything until I can find a place where we can go together. I don’t know where that is but I know what it’s like. It’s like Tiffany’s.


Breakfast at Tiffany's, a 1961 Blake Edwards' movie, with Audrey Hepburn and George Peppard, based on a novel by Truman Capote.

sábado, setembro 16, 2006

Porque sim

Deu-me para isso e fugi de casa. Os meus "donos" tristes, à minha procura, abrindo latas de atum na varanda como processo aromático-sedutor, procurando-me no bairro todo, subindo e descendo os telhados dos vizinhos enquanto gritavam o meu nome. Formularam uma data de teoremas para a minha fuga. A única coisa que os preocupava era que eu não estivesse bem, porque de resto... Podia dar-se o caso de ter querido simplesmente desaparecer, tão misteriosamente como apareci nas vidas deles há 3 anos atrás... Mas era pouco provável porque o conforto ganha firmes raízes na vida de um felino domesticado, mesmo de uma felina agreste e antipaticamente independente e esquiva como eu.

Quando voltavam para casa, às cinco da manhã, o silêncio permitiu que me ouvissem. Estava num jardim murado noutro bairro. Eram os meus miados inconfundíveis. Sim, porque eu também reconheço as vozes deles -ainda que, àquela hora, falem baixinho... minhauuuuu.

Foi preciso invadirem a propriedade alheia. Estava-se mesmo a ver que a coisa ia dar para o torto. Não deu, embora a menina e a senhora (em camisas de dormir) achassem estranho que este homenzarrão estivesse só "à procura da gata, uma gata toda preta que está a miar, é minha, peço desculpa".
A menina (porque é jovem e tal e etc) achou muita graça. A senhora não, mas vá lá, teve toda a simpatia de deixar invadir o jardim.

Daí a alguns minutos, saí nos braços dele. O facto é que eu estava presa e não conseguia sair por mim - pois nem toda a fuga dá bom resultado... FFFFFFFFFFFFFF!!!

A minha "dona" estava um bocado envergonhada - uma coisa é andar por cima dos telhados dos vizinhos, coisa que é o pão nosso de cada dia; outra é invadir-lhes o quintal de madrugada. O meu "dono", porém, cobre-me sempre a retaguarda: "O que foi? Não achas bem? Olha que eu fazia o mesmo por ti!"

É com estas declarações de amor que uma gata vive. ;)

Foto: O mundo dos limpa-chaminés, Caiê

quarta-feira, setembro 13, 2006

Neuras com (sem?..) causa, Parte 2


"Ah, I´m so depressed...-said Marvin, smiling as always- I'm a robot, with a brain the size of a planet!"

Douglas Adams, The Hitchhiker's Guide to the Galaxy.

terça-feira, setembro 12, 2006

Neuras com (sem?..) causa

minhauuuuuu....... Quem disse que os gatos não riem nunca leu a Alice no País das Maravilhas com o seu fabuloso Gato de Cheshire, que aparece e desaparece a toda a hora!
Eu só gosto de fazer na vida o que, de alguma forma, me dá prazer, porque vidas só tenho sete.
Fazer este blog era divertido. Por alguma razão, começa a ser menos... menos... e menos. Um dia, o blogSPOT há-de ser blogSTOP.
Mas, por enquanto, ainda não. Porque ainda não me dá sono.

Foto: Pug a dormir nas escadas da sua torre, Caiê.

domingo, setembro 10, 2006

As Conversas dos Putos # 13


-Ó mãe, está uma gaivota morta aqui na areia...
- Não te preocupes, filho, os animais também têm alma.
- E então?
- Então, morreu e foi para o céu, claro.
-E depois Deus não gostou dela e atirou-a outra vez cá para baixo??!!!
Ó mãe, coitadinha!!!

Foto: Praia do Almoxarife, Jac.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Tristes Realidades # 3

Era uma vez uma senhora velhinha. Não era rica - não era da família do Belmiro de Azevedo nem outros assim, e não pensem que há muitos ricos por aí... Há pessoal com trocos, mas não muito mais que isso. Pois esta velhinha tinha uns bons trocos - logo, também não pertencia à cambada de miseráveis plebeus que trabalha numa cena chique, chega a casa e come e vai para o computador postar sobre viagens que gostava de ter feito e sobre poemas que diz que fez. Classe média-alta, os miseráveis. A velhinha tinha mais trocos que eles. Não gastava nada, porque "podia vir aí uma doença". E veio.

Ninguém sabia que a velhinha tinha tanta massa, porque ela escondia aquilo tudo. Não era por mal. Os velhos são assim ciosos das suas coisas, e então dos trocos para as doenças!... Ninguém lhes toque!
O filho da velhinha era classe média-alta, cena chique, mas trocos à séria (que são bons!), nenhuns. Ia tendo um colapso quando a mãe disse "Vais agora mandar vir uma enfermeira particular tratar de mim. Eu pago tudo, está claro." O colapso não foi da mãe pagar tudo, foi de perceber a dinheirama que a mãe tinha amealhado. Unha-de-fome. Parecia que vivia sem ter onde cair morta. Somítica. Agora é que se percebia onde tinha sido enterrado o dinheiro do pai. Avarenta. Bruxa. Subiram-lhe à cabeça todas as coisas que tinha contra ela desde a infância e outras que inventou naquela hora.

A doença da velhinha era má e degenerativa. Acabou com ela, de mansinho. Era penoso de ver.
Sobretudo porque a enfermeira particular nunca veio. O filho disse à mãe que o dinheiro não chegava - "As enfermeiras estão caras, mãe. A mãe sabe lá o que isso custa! A mãe sabe lá quanto tempo vai penar! O dinheiro não estica..." A velha gemia. Já nem falar podia. A perspectiva do tempo doía-lhe como uma farpa.

O filho internou-a. Quando ia vê-la (raro, raro...), ia depressa, falava de negócios. Para se confortar (a si mesmo), convenceu-se que a mãe merecia essa sorte e que ele estava a fazer "tudo o que podia"!

Enfim, a velha morreu. O filho ficou com os trocos. Curiosamente, não os gasta. Tem-nos guardados. Quem sabe, uma doençazita futura...
Este senhor tem duas filhas. Guardado está o bocado...

Filosofias # 9





Para vocês, humanos, claro! Porque os gatos andam sempre na fresca... ;) minhauuuuu.

terça-feira, setembro 05, 2006

Silêncios


Não sei se já estiveram envolvidos nalguma associação daquelas em que se escuta alguém, seja ele / ela vítima de violência, criança ou idoso a precisar de apoio, ou, simplesmente, alguém que se vê à beira do abismo e apetece-lhe deixar-se cair. É impressionante a quantidade de pessoas que realmente não tem absolutamente NINGUÉM com quem falar. É impressionante a quantidade de pessoas que quer gritar e não pode.


Foto: Post a Secret.

domingo, setembro 03, 2006

Sabedoria Popular # 2

"O mosquito, quando se acha na farinha, julga que é moleiro!"

( dito e redito pelo bisavô da minha "dona", J.C.). Ah, grande máxima!

Conto de Fadas - Versão Moderna e Corrigida... ;)

Minhauuuuu... Não ponho aqui mails que me mandam, mas esta D-E-L-I-C-I-O-S-A história é exactamente o conto que se devia contar a todas as meninas, em vez da versão que nos impingem desde e para todo o sempre. FFFFFFFFFFF!
Vai em inglês, tal como o recebi.



Once upon a time, in a land far away, a beautiful, independent, self-assured princess happened upon a frog as she sat, contemplating ecological issues on the shores of an unpolluted pond in a verdant meadow near her castle.
The frog hopped into the princess' lap and said:"Elegant Lady, I was once a handsome prince, until an evil witch cast a spell upon me. One kiss from you, however, and I will turn back into the dapper, young prince that I am and then, my sweet, we can marry and set up housekeeping in your castle with my mother, where you can prepare my meals, clean my clothes, bear my children, and forever feel grateful and happy doing so."
That night, as the princess dined sumptuously on a repast of lightly sauteed frog legs seasoned in a white wine and onion cream sauce, she chuckled and thought to herself:"I don't fucking think so..."