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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Estranhos Momentos # 12


Ontem, dia 29, fomos ver o Maestro António Vitorino d'Almeida interpretar músicas que compôs para cinema. É sempre interessante ouvir alguém que é um comunicador nato, para além de ser um virtuoso indiscutível. Neste seu regresso à casa maternal (a família da mãe do maestro e a mãe são faialenses; a mãe cresceu no Faial, e tem o sobrenome "de Medeiros" que usam as filhotas mais velhas...), ficámos a saber muitas coisas. Mas a que registámos com mais apuro foi o conselho do seu professor de Composição Musical do Conservatório de Viena, um conselho que não é unicamente válido para essa disciplina:
"Substância, não ornamentos."
:) :) :)
Foto: João Sousa (que anda a passear pela casa cá da Gata Pug e a tirar fotos da casa toda... Vagabundo!!! minhauuuu)

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Estranhas Tradições # 20, Dia dos Amigos e Dia das Amigas











Que eu saiba, esta tradição é exclusivamente açoriana (corrijam-me se estou errada, amigos do "continente"). Confesso que não estou nada por dentro das suas origens e ainda não houve nenhum humano que me explicasse porque é que as 4 quintas-feiras anteriores ao Carnaval são dedicadas, respectivamente, aos "amigos", "amigas", "compadres" e "comadres". São as duas primeiras que têm maior expressão e os Amigos e Amigas fazem grandes ajuntamentos e jantares para celebrarem a amizade que os une. Certo? minhauuuuu... Isso é que era um pratinho de atum!
Na verdade, assim era há alguns anos atrás. Ultimamente, a tradição degenerou... Passou a ser moda festejar o Dia de Amigos e de Amigas em casas de strip. Atenção, não temos nada contra nem a profissão de stripper nem as diversões de cada um. Mas é um bocadinho triste saber que há tanta gente babada por ver alguém a despir-se... Faz pensar há quanto tempo não tinham esse prazer na vida, e, ainda por cima - coitadinhas e coitadinhas! - tiveram de pagar para isso desta vez!...
Mais ridículo ainda é saber que alguns (e algumas, não distingo géneros nisto) até armam cenas de pancadaria à conta disto... Pensam, sinceramente, que os strippers estão interessados em vocês? Tenham senso, já que não têm economia nem espelhos... São profissionais, tão somente (a maior parte exploradíssimos por gente sem escrúpulos nenhuns).
Aliás, triste mesmo é andarem a contibuir para a exploração massiva de imigrantes, mas já nem vou por aí... Fico-me mesmo pelo facto do dia de Amigos (e o das Amigas) ter passado a ser dos amiguinhos e das amiguinhas, amigalhaço que bebe contigo mas tira o corpo fora se há rusga da polícia ao bar.
As amizades genuínas são cada vez mais raras... e, portanto, cada vez mais preciosas.
Amigos e Amigas com "A" maiúsculo são um tesouro. minhauuu :)

sábado, janeiro 27, 2007

As Conversas dos Putos # 15
















- Mãe, não chores! Porque é que estás a chorar, mãe?
- Não estou a chorar, filho. Estou a cortar cebola.
- Ah! ... A cebola faz chorar toda a gente que a corta, porquê?
- Olha, há uma razão científica mas, para ser sincera, não sei ao certo...
- 'Tá bem.
(silêncio, enquanto o Filipe pensa...)
- Mãe.
- Diz.
- Já sei porque é que as cebolas fazem chorar.
- Ah sim? Explica-me lá, então.
- Elas ficam com frio quando lhes tiram a roupa e vingam-se.


Foto: Funny Pics

quinta-feira, janeiro 25, 2007

"There are three kinds of men" ... :)



Com a chegada do Captain a casa, a gata Pug (e a Caiê, porque não confessá-lo?...) estão desaparecidas por breves dias, ouvindo histórias de glórias e desaires, de encontros com baleias e com famílias de golfinhos, saving a bird of the sea and spilling your beans into someones' cup o' tea, de noites de vigia e do pequeno milagre que sempre é o conseguir chegar.
Até breve.
... mas a comida era simply dreadful, yargh! just for the record. ;)
Foto: chegada à costa do sul de Portugal, by J.A.C.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Aviso (Paroquial) à Navegação... ;)

Seguem-se uma lista de avisos paroquiais, retirados por uma boa alma -decerto a esta hora já excomungada, porque isto hoje já é, novamente, uma prática muito vulgarizada... - das portas das igrejas e que me foram enviados por e-mail (nem tudo o que me cai na caixa do correio é lixo e algumas coisas até - pasme-se! - são mesmo para mim e não para o avô defunto, o marido embarcado ou familiares que têm caixas de correio suas e de quem não sou pombo-correio).

Os avisos têm "muito boa vontade e muito má redacção", como dizia o e-mail, sendo a redacção - em alguns casos - um simples caso de sintaxe que leva a duplos sentidos. :). Noutros, é mesmo ignorância (inocência fica mais bonito, não é?).
Ah, a traição das palavras! ... ;)

Lá vão:

* "Temos na paróquia uma área especial para crianças, para todos os que tenham filhos e não o saibam."

*"As reuniões de recuperação de autoconfiança são quarta, às oito. Por favor, entrem pela porta traseira."

*" Sexta, os meninos do Oratório farão uma representação de Hamlet. Toda a comunidade está convidada a tomar parte nesta tragédia. "

* "Prezadas senhoras, não esqueçam a próxima venda para beneficiência. É uma boa oportunidade para se livrarem das coisas inúteis que têm. Tragam os vossos maridos!"

* "Tema da catequese de hoje - Jesus caminha sobre as águas.
Tema de amanhã - Em busca de Jesus."

* "O coro da terceira idade será suspenso durante o Verão, com o agradecimento de toda a paróquia."

* " Novembro finalizará com uma missa cantada por todos os nossos defuntos."

* " O torneio de basquete das paróquias continua! Venham aplaudir-nos. Vamos tentar derrotar o Cristo-Rei!"

* "Na quinta, às cinco, haverá reunião do grupo de mães. As senhoras que queiram formar parte do grupo de mães, é favor dirigirem-se ao escritório do pároco."

* "Informam-se os interessados que o preço do curso sobre - Oração e Jejum - inclui as refeições."

* "É favor colocar as esmolas no envelope, junto com os defuntos que querem que lembremos na missa."

* "Quinta, começaremos a catequese para meninos e meninas de ambos os sexos."


minhauuuuFFFFFFFFFFFFFFFFFFFF!!!!

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Siglas...



Nunca gostei de siglas. Se os gatos miam e as pessoas falam (em tantas línguas, umas ariscas, outras doces), porque raio hão-de ter pressa para falar e usarem o bruto (sim, bruto no sentido italiano da palavra!... ) sistema das siglas. É para chegarem mais depressa onde? Ou é um código secreto entre James Bond (s) iluminados que fazem o favor de utilizar as siglas em público para as pessoas não perceberem ponta de terminus de rinoceronte?

Além de que ninguém é obrigado a saber o que significam as siglas, convenhamos... JAC, por exemplo. blablabla, então tu não sabias que é Jornalismo Assistido por Computador? Eu não, não sabia. Quanto a mim, também podia ser Joint Astronomy Centre ou Journal of Antimicrobial Chemotherapy, só para citar outras duas coisas assim magníficas que me apareceram no Google.

Mas isto a propósito de uma "conhecida" que adora atirar assim com siglas. Então, diz-me ela que está a ler umas coisas para um projecto do grupo dos PEID.

De quê??? Pergunto eu, a ovelha negra, digo gata preta, a não percebe-nada-de-siglas-actuais-a-deus-meu-tão-fora-deste-mundo, a- não- sabe- o-que- é- PEID-parece-impossível-ser-isto-uma-gaja-dita-culta, vá já lá ler e actualizar-se politicamente, PEID-se menina!

"Pois... Não te interessas mesmo nada por estas coisas não é?" diz ela, muito maternalista, graças-que-algumas-de-nós-são-assim-para-contrabalançar-estas-gatas-valha-nos-senhor-as-que-de-nós-se-interessam-por-falar-depressa-em-siglas-e-por-PEID-"Eu explico... São os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento."

Depois desta epifania, a vida não mais será igual...

Foto: Docas de Lisboa (onde, estou certa, anda tudo preocupadíssimo com os PEID. Só eu desconhecia esta sigla... o mundo inteiro usa-a, "quirida", não te preocupeides... ), by a Thousand Images

terça-feira, janeiro 16, 2007

Conversas que a Gata Preta Ouve # 29

- Hoje, disseram-me que uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.
- Explica melhor essa treta. Parece conversa de padre ou de guru.
- Não era. Foi o meu pai quem mo disse.
- Ah. É biólogo marinho?
- Não, é músico.
- Pior, é conversa de artista.
- Não, ouve. Entram, dentro das ostras, substâncias estranhas... Até podem ser grãos de poeira, por exemplo, ou parasitas. E isso fere o interior da ostra. Dentro da ostra, existe uma substância que se chama nácar e que reage, cobrindo o corpo estranho com camadas sucessivas de células, para proteger o corpo da ostra. E é isso que vai formando a pérola.
- Muito poético. Achas que é a sério?
- Muito a sério. O meu pai é um tipo extraordinariamente factual. Portanto, as pérolas são feridas cicatrizadas. Quem não foi magoado, não produz pérolas.
- Dizias tu que era um gajo pragmático a falar...
- Sim, claro. Os outros é que vêem poesia nesta crueza que consiste em tornar o cruel em algo de muito positivo. Fazemo-lo toda a vida.

Les Marins
















Il m'avait dit seulement "je t'aime"
Et ces mots-là, ça compte tout de même.
On s'est aimé huit jours tout plein
Puis il m'a dit un beau matin :
"V'là que je m'en vais. N'aie trop de peine. Je suis matelot, il faut que tu comprennes."

"Les marins ça fait des voyages. On reste jamais pour bien longtemps. On part joyeux, on revient content. Des fois, bien sûr, il y a les naufrages, mais les retours c'est tout plaisir et nos amours peuvent pas mourir. On sait qu'on repart, on n'a pas l'cœur de se faire du mal à son bonheur. Faut pas pleurer ! Aie du courage ! La mer est belle et puis dis-toi qu'on n'y peut rien ni toi ni moi ...et qu'les marins, faut qu'ça voyage."

Je l'ai vu partir sur son navire.
Y me faisait de loin un beau sourire,
Et d'un seul coup je ne l'ai plus vu
Et puis l'bateau a disparu.
La mer chantait d'une voix câline.
On a parlé comme des copines.

Les marins ça fait des voyages. Ça reste jamais pour bien longtemps. S'il revient joyeux, il repart content. Pour les aimer, faut du courage, ...mais les retours c'est tout plaisir et leurs amours peuvent pas mourir. Le voilà qui part, mon pauvre bonheur. Dessus la mer vogue mon cœur Mais v'là qu'je pense qu'il y a des naufrages. Sois bonne, la mer: ne le garde pas. Si tu veux bien, on partagera. Comme les marins, faut qu'ça voyage.

J'l'ai attendu pendant des semaines,
Et puis maintenant c'est plus la peine.
Il m'a fait dire par ses amis
Qu'y reviendrait plus, qu'c'était fini.
Il m'avait fait cadeau d'une bague.
Je l'ai jetée au creux des vagues.

Les marins ça fait des voyages. On les espère pendant longtemps. Y'en a qui reviennent de temps en temps. D'autres se font crocher le cœur au passage. Y a plus de retour, y a plus de plaisir. Y a plus d'amour, y a qu'à mourir. Celui qui j'aimais, y reviendra pas; Et puis s'y revient, il recommencera; Car les marins, faut queça voyage. Ça court toujours vers d'autres bonheurs...

Et ça nous laisse avec notre cœur, Notre cœur fané pour tout partage.

Edith Piaf, Les Marins




A Gata Pug interroga-se por anda andará a velejar ele...

domingo, janeiro 14, 2007

Conversas que a Gata Preta Ouve # 28



- Então, estás feliz?
- Até estou...
- Que resposta tão "mais ou menos"! Esperava-se que dissesses "muito, muito feliz e podemos celebrar até cair" no mínimo! Ah ah ah!
- Mas tu nunca reparaste que nesta nossa esfera nunca se deve dizer que se está feliz? E, certamente, jamais se deve intensificar com o advérbio "muito".
- Então porquê? Fica bem a rugazinha de pensamento soturno a meio da testa?
- ... Não é bem isso. É porque a felicidade levanta suspeita.
- Ahn?
- Se andares com um ar muito feliz, logo a reacção geral é de incómodo. Pensam imediatamente "Porque será que aquele caramelo anda todo satisfeito? Que será que ele já sabe que eu ainda não sei? ... De certeza que já meteu a patinha na parte que me cabia a mim! Humpf!" De modo que o melhor, para manter a paz de espírito alheia - e , logo, a tua - é ser o mais low profile possível. E, por mais feliz que estejas, manter sempre um ar mais ou menos alheado. Um ar "mais ou menos", em suma.
- Eh pá, isso é muito torneado! Acabas por não te exprimir à conta dos outros.
- Ah, já não me custa nada. Imensas vezes, estou a rir à brava por dentro e faço um ar dramático para os deixar contentes. Eles aguentam muito bem a miséria alheia: compadecem-se, humanizam-se, e acham-se seres plenos de caridade. Mas experimenta aparecer com uma cara de felicidade, experimenta teres um triunfo. Os sorrisos deles são amarelos; não sabem elogiar sem soar a falso.
- Não será que te sentes culpado por seres feliz, sabendo que eles não o são?
- Não, não. O problema está em que esta gente tem dentro de si a ideia de que a felicidade se ganhou à custa da felicidade de outro alguém...



Foto: Eric Petersen

(quantos de vocês pensam que há perigo de um ancinho no meio das folhas e quantos saltariam sem pensar duas vezes?... minhauuu)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

"O mar é um grande ilusionista"

"Vendo a pureza do mar, a sua nudez monstruosa e redonda, sentiu vontade de se dar a qualquer coisa assim ululante, que não tivesse pêlos nem olhos nem pensamentos encobertos, mas que fosse mais forte que o domínio que tinha de si mesma."
Vitorino Nemésio, O Tubarão
Foto: canalacores

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Conversas que a Gata Preta Ouve # 27

Ele: A inveja nasce de um sentimento íntimo de comparação. As pessoas comparam a sua vida com a de outro e porque não estão satisfeitas com a vida que levam e supõem que a do outro é mais interessante, cobiçam-na.
Ela: Mas as pessoas não sabem nada da vida da maior parte dos outros seres, quero dizer, da verdadeira vida.
Ele: Divagam, imaginam, fabulizam! O que lhes interessa não é tanto a realidade mas o que lhes permite canalizar o veneno interior. No fundo, a inveja é uma espécie de esgoto, a fossa asséptica da alma de cada um.
Ela: A merda de cada um? Mas então porque é que têm de ser os outros a apanhar com ela?!
Ele: Porque há sempre alguém que recolhe o lixo alheio. A pior inveja, porém, é a dissimulada, aquela que te diz “estou tão feliz por ti” e depois te cospe nas costas assim que te viras.
Ela: Não sou tão descrente da Humanidade como tu.
Ele: Eu também acredito muito na Humanidade em geral... são as pessoas em particular que me chateiam. Bichinhos roedores, corrosivos.

sábado, janeiro 06, 2007

Estranhos Momentos # 11















A Gata não gosta de comidas frias. É verdade que debica o pão torrado e outras comidas humanas, mas tudo isso é quente. Talvez por isso demorou mais de 12 horas a dar com o bilhete que ele lhe tinha deixado na porta do frigorífico. Ou talvez ele o tenha deixado aí porque não era assim tão importante. Na verdade, deixou-o colado atrás de um postal velho. Foi preciso muito esforço (o acaso, o acaso é que foi, como em tudo neste affaire) - a Gata não tem olhos de lince. Ou será distraída, absorta? Em quê? Ela não sabe (ou nunca lhe quis dizer...).
Deixou-o escrito noutra língua. Na sua, que não a dela. (Tudo isto se resolvia se te metesses com a tua espécie... Se eu quisesse um ser igual a mim, povoava a casa com espelhos! ahaha, ahaha,... Continua sempre assim a rir-te, podes vender o mundo a um E.T.) . Estava cheio de conselhos práticos (o bilhete, não o seu autor). Talvez o seu autor também estivesse. Talvez isso fosse parte do seu encanto. Práticos mas não paternalistas. Práticos e rápidos como quem diz "orça aquela vela".
A Gata riu-se muito dos conselhos (embora não estivesse ali nenhum E.T. para comprar o mundo). Como julgava ele que ela tinha sobrevivido antes dele aparecer? ahahah! Como se todos os seres não fossem autónomos. (Achas mesmo que os gatos não conseguem descer sozinhos das árvores? ... Acho mesmo. Só são capazes de subir... Eu cá acho que é tudo fita. Gostam de um bocadinho de drama à italiana...)
Os conselhos estavam numerados. Prático, prático. Como um capitão. O último número não era uma indicação, porém... Dizia que ia sentir a falta dela, lá longe, no mar. A Gata pensou que uma humana ia sentir-se muito segura com estas palavras, absolutamente desnecessárias para ela - ela já sabia tudo isto. Esperava que ele também soubesse, porque não se lembrava se lho tinha miado.
Foto: "Sailboat at sunset" (roubei-a ao João Sousa).

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Moi, je n'ai pas les os en verre, je peux bien me cogner à la vie! :)



C'est l'angoisse du temps qui passe qui nous fait tant parler du temps qu'il fait.[...]
Allez-y, ma petite! La chance, c'est comme le Tour de France: on l'attend longtemps et puis... ça passe vite!


Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain
, un film de Jean-Pierre Jeunet, avec Audrey Tautou et Mathieu Kassovitz, 2001. Musique de Yann Tiersen.


La Valse d'Amélie passa a ser banda sonora deste blog, a partir de hoje (até nos apetecer).
Quem não gostar de música (há disso?) pode sempre carregar na pausa...



quarta-feira, janeiro 03, 2007

Mobi - lidade? Deve ser um primo do Moby, "mana"...
















2006 foi o ano da Mobilidade Europeia. Teoricamente, as coisas ficaram mais fáceis. Sublinhem aí o teoricamente. Todos sabemos que o mais difícil de mudar são as mentalidades. As mentalidades de cada país traduzem-se (em termos de papelada) na burocracia, como já repararam aqueles de vocês que se atreveram a ser móveis - oh, supremo desplante! Mas porque não ficaram em vossas casas, contentes com vossos lares?
(Aqui podia enveredar por questões xenófobas e outras, mas nem vou por aí... só por onde me levam os meus próprios passos... olha, já li isto em qualquer lado, regiamente escrito.)
Voltando à vaca fria -agradeço a quem me saiba esclarecer de onde surgiu esta expressão da "vaca fria", p.f.- , continuam a haver mil e uma questões de difícil solução, por causa da bendita papelada. Em França,por exemplo, um cidadão tem de ter uma carte de séjour para trabalhar, mas não pode ter um trabalho se não tiver uma carte de séjour... O que vem primeiro: o ovo ou a galinha? Digo, a carte de séjour ou o trabalho?
Além disso, embora a lei comunitária explicite que não pode haver discriminação entre os cidadãos da UE quando há concursos, bem sabemos que o patrão pode dizer:"O senhor ainda não tem endereço fixo aqui na Itália? Então, desculpe, mas, sem isso, pode ir já tomar um cornetto".
Se, porém, ultrapassarmos todas as condicionantes e - hip hip hurray! - arranjarmos um contrato por escassos meses (que é o que arranja a minha brilhante e esclarecida geração... falavam mal de nós, mas agora aguentem-se com esta que aí vem, alimentada pela Floribella... ), ainda nos resta a questão final. Os impostos. Pagamo-los onde trabalhamos, claro. E, no fim, com impostos pagos um ano aqui, outro ano acolá, outro ano acoli... Como será a reforma? Eu não me interrogo acerca disso, porque nem conto estar viva, mas ainda há os que se interrogam (com tanta oliveira, senhores... ahaha).
Além disso, os bancos tendem a não dar empréstimos a gente móvel... como bem sabeis, camaleões adaptáveis.
Ficai em vossos lares, ficai.... que isso da mobilidade fácil deve ser um disco novo. Ou um discurso. :)



Foto: Concéssion à Perpétuitè, Cemitério de Pére-Lachaise, Paris, by Caiê.


(2006 foi também o ano em que tombou o galho francês da minha árvore familiar. E, assim, a "dona" da Gata já não tem avôs...)

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Auguri! :)



-Your man...
-He was Masai. That's what you remember about him. They're like nobody else.
We think we'll tame them... but we won't.
If you put them in prison, they die.
- Why?
- Because they live now. They don't think about the future. They can't grasp the idea that they'll be let out one day. They think it's permanent, so they die.
... They're the only ones here that don't care about us, and that's what will finish them.
- What did the two of you ever find to talk about?
-Nothing.

[...]

- This lion is hungry. He does not have this ox.
God is happy, Msabu. He plays with us.


Out of Africa (em português: África Minha), a 1985' Sydney Pollack movie with Meryl Streep and Robert Redford, based on a autobiographical novel by Karen Blixen (n.p.: Isak Denisen). Soundtrack: John Barry.