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sexta-feira, março 30, 2007

As Conversas dos Putos # 17


- Tu não tens bichinhos em casa !!!
- Tenho, neste momento tenho dois gatos.
- Não, não é isso. Não tens BICHINHOS...
- Como "bichinhos"? Que queres dizer?
- A minha mãe está sempre a falar de uns bichinhos que vivem dentro dos guarda-fatos e tu não tens, não tens! Tu és uma magricela! A minha mãe também diz isso de ti: que és uma magricela e que não tens maminhas!
- Bichinhos dentro dos guarda-fatos? ! Hum... Não conheço...
- Sim, sim. Vês?! Nós temos e tu não tens! Chamam-se CALORIAS. Ahn? 'Tás a ver?!
- As calorias vivem dentro dos guarda-fatos?!
- Sim. São bichos pequeninos. Apertam a roupa e depois já não nos serve!

quinta-feira, março 29, 2007

Estranhos Momentos # 13



"Não importa por onde ou quão longe tu vagabundeias, a luz está a uma fracção de segundo, a uma respiração de ti."
Assim dizem os budistas. :)
Fotos: Electrical storm in Sydney, T. C.

quarta-feira, março 28, 2007

Les Poupées Russes


De manhã, escureço.
De dia, tardo.
De tarde, anoiteço.
De noite, ardo.
A oeste, a morte contra quem vivo.
Do sul, cativo.
A este, o meu norte.
Outros que contem passo por passo.
Eu morro ontem, nasço amanhã.
Meu tempo é quando.
*** Vinicius de Moraes
Quando me pergunto se existes mesmo, amor
Entro logo em órbita no espaço de mim mesmo, amor.
Será que, por acaso, a flor sabe que é flor?
E a estrela Vénus sabe ao menos por que brilha mais bonito, amor?
O astronauta, ao menos, viu que a Terra é toda azul, amor
E isso é bom saber porque é bom morar no azul, amor.
Mas tu, sei lá, tu és uma mulher,
sim,
tu és linda... porque és.
***
Foto: Vidros dentro de vidros, Madrid, by Caiê

segunda-feira, março 26, 2007

Ena, era para isto que servia! WOW!!!



Médico: Minha senhora, teve um lindo bebé, muito saudável, mas devo dizer-lhe que há um pequeno problema...
Mulher: Ai, senhor doutor, diga-me depressa!!!
Médico: Não se inquiete, não é nada de grave, o seu bebé é apenas um bocadinho... diferente.
Mulher: Diferente??
Médico: Sim.
Mulher: Como???
Médico: Bom, não vale a pena prolongar isto. O seu bebé é hermafrodita.
Mulher: Hermafrodita?! Ah, senhor doutor, desculpe, mas o que é isso?
Médico: Em termos gerais, significa que ele tem o equipamento masculino e também o feminino. Entende?
Mulher: Ai, senhor doutor! Coitadinho!!! Que vai ele fazer com um pénis e um cérebro???!!!

sábado, março 24, 2007

Os Gatos Não Fazem Anos # 2


Minhauuuu!!!
Segundo o primeiro leitor deste blog que continua a ser nosso leitor após 2 anos de bloganço - o que constitui, a nosso ver, um grande triunfo, já que todos sabemos que conquistar alguém é mais ou menos fácil, mantê-lo interessado é que são elas!... - fomos alertadas para o facto de que este BLOG faz 2 anos.
A Pug gostava de reafirmar que este blog é dela! FFFFFFFFF!!! Toda a intromissão da "dona", usada como puro veículo de transmissão, é severamente punida com arranhadelas.
A Caiê gostava de agradecer (a Pug nunca agradece, nunca pede desculpa, e nunca diz com licença por achar que todo o palavreado extra é puro empate, já que o resultado final vai sempre dar ao mesmo, ou não é? minhauuuu....) a todos vocês, que, ao longo de 2 profundíssimos anos que passaram a correr, têm dispendido tempo a deitar o olho aqui.
É que o tempo é tão único que sempre nos espantamos com a vossa generosidade de quererem que façamos parte dele.
Obrigada.
Minhauuuu.
Banner: HUGO SOUSA - claro.... ;) thanks, mate.

sexta-feira, março 23, 2007

... Calendário

Sabem o que é a gente ver uma amiga que já não via há anos e ter dela a imagem de uma top model (é que ela é mesmo elegante e corta a respiração, não me venham dizer que as mulheres só sabem é dizer mal umas das outras, isso são as inseguras!) e ter as memórias de nós as duas (e mais umas quantas) bebendo cafés e runs e espiando os rapazes naquela idade ingrata, ingrata em que julgávamos que um problema de pele era a ruína, e então ver essa amiga e abraçá-la e ela estar a chorar (mas sempre com o seu perfil de estátua grega) e vestida de negro, e ela ter acabado de perder uma filha, e haver ali ao lado dessa antiga jovem risonha (que hoje é uma ex-mãe vestida de asa-de-corvo, chorando, mas sempre bonita) um caixãozinho branco e tudo é dor e tudo é luto e não se percebe onde está D-us e a gente querer dizer -lhe (a ela, porque importa) que também sabemos o que é perder um filho e não nos sai nada e a ocasião passa e dizemos o nome dela e ela diz o nosso e choramos as duas (cada uma pelo seu morto, mas ninguém sabe e todos estamos sozinhos) e é só.

quinta-feira, março 22, 2007

Ah, então era isso!!!


Conversas que a Gata Preta Ouve dão nisto...
Escutando uma conversa entre a Caiê e um seu grande amigo dos tempos de escola que deu em veterinário (ele também podia ter dado em médico, mas diz que gosta mais de ouvir todos os dias a pergunta maternal: "Porque é que não foste para médico?" e de responder: "Gosto mesmo é de meter as mãos nas vacas, de ter a possibilidade de um dia ir parar ao matadouro e de ainda ganhar metade do que ganham esses snobs!"), fiquei a saber que um ano de vida dos gatos corresponde - mais suspiro menos fungadela - a sete anos de vida humana.
Isso explica toda a minha vida. As minhas ansiedades respondidas logo ali.
Qual psicólogo qual quê! Para acabar com as inquietações, o melhor é consultar um veterinário.
Foto: A Pug agarra-se ao globo, Caiê

terça-feira, março 20, 2007

Parte II



Cansada, ela apertou-lhe a parte interna do pulso. Não muito, mas o suficiente para lhe dizer "vamos embora" sem que os outros percebessem. Em 15 minutos, estavam sentados numa plaza qualquer, a beber chocolate (ela) e café sem açúcar nem leite (ele), e o sol queimava-os, sem piedade nenhuma. Ela olhava para o sol de frente, sem caretas, como sempre.
- Gostas assim tanto de calor? Mesmo nesta cidade seca como a pele de um camelo velho?!
- Hum, hum.
- Sabes que és muito parecida com uma pessoa de quem também gosto muito?
Ela sentiu, pela primeira vez, uma coisa que era muito rara nela: essa ponta de orgulho feminino misturada com desconfiança, a que se costuma chamar ciúme. Mas não perguntou nada.
Ele disse:
-Porque é que nunca me fizeste perguntas? ... Sobre nada?
Devagar, mexendo com a ponta da colher o chocolate espesso, espesso - como é de uso fazer-se nessa terra estranha... - ela disse:
- Dizes-me o que quiseres dizer. Não é assim isso da liberdade?
Um homem menos perspicaz teria pensado que aquele espírito livre e tranquilo, ali sentado à sua frente, não se interessava nada por ele e talvez por coisa nenhuma. Mas ele sabia ler melhor que isso...
- És muito parecida com a minha filha. - respondeu, e tirou uma foto do bolso que mostrava uma rapariga pouco mais nova que ela. - E este aqui é o meu filho.
Ela achou o rapaz muito parecido com o pai, tão iguais no olhar e no sorriso, que teve o pensamento-relâmpago que bem poderia, noutra circunstância, ter amado o filho em vez do pai. E logo se recriminou por esse absurdo pensamento. Mas já era tarde porque ele já o tinha lido.
- Está mais próximo da tua idade, realmente. Mas és um enigma muito complicado para ele.
(e riu-se, como sempre, quando falava dela a sério) Se nem eu te consigo desvendar como gostava... Também, não colaboras! Nunca me falas de ti, por exemplo. De ti e não dessa mulher que tem mais que um rosto. Eu queria ver o último.
Ela pensou no que ele tinha dito, certa vez, sobre apreciar descobrir o interior de todas as máquinas, de todas as coisas, e depois perder o interesse nelas. Disse, fingindo ofensa:
- Não sou um dos teus aviõezinhos.
Um homem menos atento teria suposto que a ofensa era verdadeira e que ela se julgava menos apreciada e todas essas coisas. Mas ele já a tinha visto suspirar e rir. Conhecia todo o essencial e cada dia gostava mais de tudo isso.
Só não entendia para onde "viajava" ela sozinha. Era o mundo só dela que queria entender e onde não chegava. A fuga.
Ficou sério e disse:
- Era preciso uma vida inteira para te conhecer, minha pequenina. Eu já vivi metade. Não sei se temos tempo.
Algo nele parecia indeciso, balançava por apoio. Precisamente o que ela não suportava ver num homem - a carência por suporte.
A rapariga pousou a colher. Subiu dentro dela todo o seu sentido prático, que sempre a atingia como uma flecha, e lhe tornava o sangue frio. Riu-se (porque, depois do sentido prático, era o sentido de humor o seu maior aliado!):
- Tens uma vida muito bonita à tua espera. (e tocou, ao de leve, nas fotografias) Eu também tenho uma. (não disse nada sobre esta, para não o magoar) Que te parece?
Ele percebeu que as palavras finais eram suas. Porque ele era tão orgulhoso na sua proa de descobridor que nunca suportaria que o ser descoberto o mandasse de volta, ela dava-lhe uma benesse sub-reptícia de ser ele a acabar com o amor.
- És uma espécie rara, tu. (disse ele, que tinha percebido tudo, mesmo a benesse). Espero ... Nem sei o que espero. (e enervou-se, ele que era sempre tão seguro).
A rapariga disse, pousando a sua mão pequenina naquela mão de urso:
- Espero que voltes em segurança para casa e que não me esqueças. É uma memória doce.

segunda-feira, março 12, 2007

Para Irenita que me ha dicho que cumpleaños es todos los días


domingo, março 11, 2007

I can't figure you out, he said, you don't fit in the scheme


"I'm not a pretty girl; that's not what I do...
I'm no damsel in distress and I don't need to be rescued.
So put me down, punk. Wouldn't you prefer a maid in fear?
Isn't there a kitten stuck up a tree somewhere?
I'm not an angry girl! ... But it seems like I've got everyone fooled.
Everytime I say something they find hard to hear,
They chock it up to my anger and never to their own fear.
Imagine you're a girl, just trying to finally complain.
Knowing full well they prefer you were dirty... and smiling.
And I'm sorry, but I am not a maid in fear
and I am not a kitten stuck up a tree somewhere.
And generally my genearation wouldn't be caught dead working for the men
And generally I agree with them, the trouble is
You hav'a get yourself an alternate plan.
And I've earned my disillusionemment; I have been working all of my life.
And I am a patriot - I have been figthing the good fight.
What if there are no damsels in distress?
What if I knew that and I called your bluff?
Don't you think every kitten figures out how to get down, whether or not you ever show up?
I don't really want to be a pretty girl. I want to be more than a pretty girl."
Annie di Franco
Foto: Pug tomando café, by Caiê

quinta-feira, março 08, 2007

Mas porque é que tinha de haver Parte II, hã??


Os visitantes deste blog estão todos em pulgas. Acreditam, realmente, que a história do cofrezinho é uma coisa séria? Está tudo doido? Ser pouco inteligente nunca fez parte da minha longuíssima lista de defeitos... ;)
Todavia, como esta ficçãozita parece ter despertado um peculiar interesse - porque se todo o cofrezinho anseia pelo caçador ideal, não há caçador que não goste de se ver lisonjeado, e mais... Todos gostam de se imaginar caçadores! -, a Pug vai pensar numa parte II a pedido de muitas famílias. Ainda que (frisando bem o "ainda que"), por nós isto acabava já aqui e acabava muito bem. Nem tudo tem de ter uma Parte II. Como dizia o outro "it's better to burn out than to fade away".
Fiquem, entretanto, com a Monica Belluci, versão soft de todos os dias.

segunda-feira, março 05, 2007

Apontamentos Extra

O caçador de tesouros chegou à gruta e ficou encantado por descobrir o cofrezinho de jóias... por abrir. Depois, estacou.
"Sinto que estás incompleto... que te falta qualquer coisa" disse ele, ao cofre. É espantoso como o cofre o escutava. Qualquer caçador de tesouros sabe que os cofres anseiam por ser abertos (com muito cuidado, claro está).
O cofre permaneceu em silêncio.
"Parece-me que escondes muitas palavras... Já era tempo de as pores cá para fora." disse o caçador, que bem se achava capaz de tirar os segredos todos ao cofre, embora não soubesse como arrombar a fechadura. Achava indelicado parti-la (no verdadeiro sentido da palavra, porque a sentia muito delicada e, sobretudo, sensibilizava-o a fragilidade de uma força que ele não sabia romper).
O cofre tinha tanta curiosidade pelo caçador como este pelo cofrezinho de jóias. O caçador percebia que sim, porque estavam ali presos por um magnetismo qualquer, Portanto, seguindo a sua natureza, arriscou.
Um bocado desajeitado, a princípio, como todos os caçadores de tesouros. O cofrezinho simpatizou tanto com aquele esforço sincero para não o magoar (a ele, cofrezinho, entendamo-nos!) que achou por bem indicar-lhe a direcção. O caçador bem percebeu que já não estava a controlar coisa alguma, mas, segundo as regras do bom velho jogo, fez de conta que sim. De resto, o cofrezinho quase acreditava nisso também, porque não sabia tudo dos seus próprios caminhos e descobria-se mais com cada novo caçador.
"És esquivo como um peixe e misterioso como um labirinto", disse o caçador, quando se cansou (felizmente, já tinha aberto o cofre). Riu-se e limpou o suor da parte de trás do pescoço com a mão. O cofrezinho gravou este gesto na memória e sabia que seria exactamente esse riso satisfeito e carinhoso que iria recordar mais tarde.
Foto: Ulysses and the Syrens, John William Waterhouse

sábado, março 03, 2007

Ir e Voltar...


Velejar de dia e de noite e já estou absolutamente livre e em paz com tudo e com todos. Ontem, o aniversário do timoneiro. Sem o nosso skipper, isto não seria tão gezellig - o termo mais bonito da língua neerlandesa. Neste mundo diverso, é fácil sentirmo-nos ágeis. Confundimos os verbos ir e vir continuamente no verde. Esquecemos a nossa língua.

Foto: Hugo Dias (não sei onde estás, mas não sei onde metade das pessoas estão e isso não interessa muito... Estamos todos no mesmo planeta)