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domingo, julho 22, 2007

A Gata e a Outra



Já Walt Disney dizia: Todo o Mundo quer a vida que um Gato tem...

Foto: Hugo Dias, "O Gato está no quente"

sábado, julho 21, 2007

Ainda navegamos distraídos


Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que, por admiração, se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

Texto: Clarice Lispector "Porque já não estavam distraídos"
Foto: Cat of Delos, J.A.C. (thanks!)

quinta-feira, julho 19, 2007

Estas Coisas da Língua # 4



"Rendre heureux" nunca poderá soar ao mesmo que "fazer feliz", miem lá o que miarem...

Foto: Saint Malo, Bretagne.

terça-feira, julho 17, 2007

Conversas que a Gata Preta Ouve # 35

- Sempre julguei que podíamos ser bons amigos, sem essas tretas a impeçar a nossa vida. - lamentou-se ela, desabafando com o capitão, pela primeira vez na vida.
- Pensaste mal... Lá por isso, não julgues mal o rapaz. - entremunhou ele, que não apreciava falar sobre a sua tripulação.
- Mas, afinal, os homens e as mulheres podem ser apenas amigos. Tenho essa firme convicção.
- "Apenas"? Quem quer ser apenas seja o que for, minha linda?
E foi a primeira vez que ela viu o capitão sarcástico.
Perguntou-lhe, de frente:
- Então? Acha que fui inocente?
- Hum... Não exactamente. Acho que foste cega ao que não querias ver.
Ela esperou mais detalhes. O capitão fumou dois tragos, acabou um nó e disse:
- Um homem que acha uma mulher interessante, um homem que se sente desperto por uma mulher... não quer passar o tempo a discutir música com ela. Fiz-me entender?
Ela suspirou. Percebeu a sua asneira. Resolveu fazer o que nunca fizera antes e pediu ao capitão um conselho sobre algo que não fosse trabalho. Assim, muito depressa:
- E agora?
- Agora, deixas de te portar como uma menina. Assumes que ele fica desesperado quando te vê e lidas com isso. Assumes que tu não ficas nada desesperada quando o vês. Tratas de deixar bem claro esse assunto. Não quero problemas a bordo do meu barco.
Ela surpreendeu-se muito:
-Eu porto-me alguma vez como uma menina??
- Nunca quando trabalhas. Quando trabalhas, és pior que um estivador.

segunda-feira, julho 16, 2007

Joyeux Anniversaire, Milie... :)



Ainda bem que já se acabou o fim-de-semana, porque a verdade é que já não podíamos com tanto foguetório... Cortem-lhes as cabeças!!! Oh não... Ela tem um pescoço demasiado bonito... :P

Foto: La Bastille.

sexta-feira, julho 13, 2007

Conforto


No fundo, tenho pena dessa gata que anda sempre a tentar esgueirar-se cá para a nossa banda. Algo de muito errado se passa na nossa vida quando a casa de banho mais confortável para nós não é a da nossa casa...
Foto: italian kitty.

terça-feira, julho 10, 2007



Quando o barco chegou às ilhas gregas, em Abril, a nossa impressão foi que "Os gregos precisavam dos heróis". Hoje, a nossa ideia é que "os heróis precisam dos gregos".
Porque, sem este povo, não haveria a noção de deuses como a temos nós.

Pst: Antes da foto de La Rochelle, é simpático pôr aqui a de Lefkas.

Foto: Lefkas, vista do alto.

sexta-feira, julho 06, 2007

Fugas


É comum os gatos comerem plantas, assim um pouco à laia de digestivo, mas eu sou alérgica ao pólen das flores e isto da época aquecer desnorteia-me a bússola interior. Assim, tenho mesmo de me atirar à água salgada para poder suportar tanto ar polinizado.
Os franceses tiveram uma ideia bestial para fazerem os humanos gastar dinheiro - combatem as alergias com água salgada vendida dentro de garrafinhas, e o pessoal totó vai à farmácia e compra-o. É giro ver as pessoas, meias ranhosas, a enfiar água salgada no narizito, ao invés de mergulhar como seria normal (normal também é uma palavra que tem que se lhe diga...).
Enfim, a Gata Preta decidiu dar de frosques para outro porto onde não haja tanta florzinha no(s) ar(redores). Au revoir.
PS- Isto não quer dizer que eu não goste de flores, mesmo as que me dão alergia.Aliás, eu respeito as bactérias. As bactérias são a única cultura que algumas pessoas têm.
Foto: Port de La Rochelle